Cristina Lima

About Cristina Lima

Psicóloga e Pós-graduada em Avaliação Psicológica. Psicoterapeuta com atuação em Avaliação Psicológica e Orientação profissional, incluindo aposentados com uma proposta de construção de um novo projeto de vida sustentado pela promoção do autoconhecimento, ressignificação e descobertas de novas competências, diante da nova fase da vida e a partir dela.
Pós-Graduanda em Avaliação Psicológica – IPOG – Instituto de Pós- Graduação e Graduação (2016 – 2018). Graduada em Psicologia – Universidade Estácio de Sá – UNESA (2012-2016).

Doença mental ou possessão demoníaca?

By |2018-11-21T16:54:29+00:00novembro 22nd, 2018|Categories: Psicologia|Tags: |

Houve um tempo em que ter um entendimento, mesmo que pequeno por intuição, por experiência ou adquirido por antepassados, como por exemplo, identificar plantas para fins medicinais, ter conhecimento sobre os benefícios das ervas para o tratamento de enfermidades físicas como dores de cabeça, cólicas, urticárias, diarreia, dor de dente, etc., sem o consentimento das instituições e autoridades da época, era uma faca de dois gumes; como diz o dito popular, em outras palavras, é quando algo que o sujeito tenha feito de boa vontade, tem o efeito contrário ao esperado, ou mesmo um efeito prejudicial. Esse tempo era a idade média, mais precisamente na metade do século XV, onde deu-se o início à caça às bruxas, e, seu apogeu nos séculos XVI e XVII. Segundo Natália Petrin, a caça às bruxas aconteceu principalmente em Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Alemanha (e em algumas colônias na América). A perseguição acontecia devido à crença de que era necessário punir bruxas que supostamente praticavam rituais e curandeirismo. Estima-se que entre os séculos XV e XVIII, tenham acontecido entre 40 mil e 100 mil execuções por bruxaria.

Segundo Leandro Vilar (2017), desde que a Igreja Romana passou a expandir seus domínios e influência sobre a Europa a partir do século IV, o clero esbarrou em diferentes práticas mágicas e religiosas, pois a Europa era um continente pagão (ainda não cristianizado), mas à medida que o tempo foi passando e o processo de cristianização avançando de forma ora pacífica, ora agressiva, levou muito tempo para

Transtornos da Personalidade e as redes sociais

By |2018-10-25T11:40:05+00:00outubro 26th, 2018|Categories: Psicologia|Tags: , |

Um transtorno da personalidade é um padrão persistente de emoções, cognições e comportamentos que resulta em um sofrimento emocional duradouro para a pessoa afetada e/ou para outros e pode causar dificuldades no trabalho e nos relacionamentos, é um padrão de comportamento que se desvia acentuadamente das expectativas da cultura do indivíduo (American Psychiatric Association, 2013). Todavia, é possível que indivíduos com transtornos da personalidade não experimentem nenhum sofrimento subjetivo, no entanto, as ações do sujeito com transtorno podem causar sofrimentos a outras pessoas. Isso é particularmente comum no transtorno da personalidade antissocial, onde há uma evidente desconsideração aos direitos de outras pessoas e à ausência de remorso (HARE, NEUMANN & WIDIGER, 2012). O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais em sua 5ª edição, lista dez transtornos da personalidade específicos, mas iremos nos deter no transtorno da personalidade antissocial, por ser um padrão de comportamento de desrespeito e violação dos direitos dos outros. E motivo pelo qual escrevo este artigo.

Indivíduos com transtorno da personalidade antissocial frequentemente carecem de empatia e tendem a ser insensíveis, cínicos e desdenhosos em relação aos sentimentos, direitos e sofrimentos alheios. Podem ser excessivamente obstinados, autoconfiantes ou convencidos. Como por exemplo os indivíduos que usam as redes sociais para destilar o ódio, criar teorias da conspiração, criar e divulgar perfis e notícias falsas sobre pessoas, personalidades públicas e/ou instituições. A característica essencial desse transtorno é um padrão difuso de indiferença e violação dos direitos dos outros, o qual surge na infância ou no início da adolescência

Sua Majestade o Museu Nacional, está morto.

By |2018-09-04T15:36:23+00:00setembro 4th, 2018|Categories: Cultura|Tags: , , , |

Criado pelo visionário D. João VI, em 06 de junho de 1818, e inicialmente sediado no Campo de Sant’na, região central do Rio de Janeiro, o Museu de História Natural, em princípio, tinha como função educar e esclarecer a população para as riquezas e potencialidades da história da humanidade e sua evolução através dos séculos. Por 200 anos, ele foi protagonista da riqueza e da expansão marítima portuguesa, suas causas e consequências, sobretudo a colonização do Brasil, até a proclamação da Independência por D. Pedro I.  Ele era um gigante! Tão monumental em beleza estética arquitetônica, quanto no número de itens em sua magnífica coleção de 20 milhões de peças históricas. O Brasil, que se importa com a sua história, cultura e memória, está de luto!

No ano de seu bicentenário sua “Majestade” o Museu de História Nacional do Rio de Janeiro, foi palco de uma tragédia tão grandiosa, quanto sua própria história; no dia 02 de setembro de 2018, às 19:30, começou um incêndio de proporções e consequências épicas em suas dependências e que consumiu 200 anos de trabalho, e pesquisas que remontam ao processo de construção da Nação e seus desafios. Este conjunto arquitetônico e seu arquivo histórico, jazem hoje, sob cinzas.

Esta obra de arte a céu aberto e templo do conhecimento, estavam relegados ao ostracismo, ao esquecimento, à negligência, e à falta de investimentos para sua devida preservação; falta de recursos?, não! Falta de vontade política, falta de honestidade, dignidade e respeito com a aplicação do dinheiro público;

Negação como escudo de defesa

By |2018-08-06T08:47:56+00:00agosto 3rd, 2018|Categories: Psicologia|Tags: , , , |

Espelho, espelho meu, quem é mais bela do que eu? Com essa fala épica da Rainha Feiticeira, do desenho clássico “Branca de Neve e os sete anões”, Disney (1937), abro este artigo para refletir sobre a auto-avaliação de nossos aspectos emocionais e como reagimos a eles. A negação por exemplo, é um mecanismo de defesa consciente e inconsciente em que o conflito emocional e a ansiedade são evitados por recusa em reconhecer pensamentos, sentimentos, desejos, impulsos, ou fatos que são conscientemente intoleráveis pelo sujeito. No caso específico da Rainha Feiticeira, também conhecida como a madrastra má, seu conflito se situa num futuro conscientemente intolerável para ela, pois, sabia que mais cedo ou mais tarde, seu posto de “a mais bela” iria ser ocupado por outra mais jovem. Essa negação da realidade como fato, e portanto, previsível e inexorável do ciclo da vida, faz, com que a Rainha, negue a realidade e não se ajuste a ela de modo adequado; aqui, temos o primeiro sinal da não aceitação e da percepção disfuncional como mecanismo de defesa intrapsíquico contra o mundo exterior.

Negar algo, durante algum tempo faz parte do aprendizado da vida, e, é uma maneira de evitar por um período a resolução de problemas até que se esteja emocionalmente preparado para lidar com eles, quer seja com o amadurecimento da estrutura psíquica ou a aquisição de conhecimentos. Quando um ente querido morre por exemplo, não é raro se ouvir: “Não, não é verdade. Isso não pode estar acontecendo!” É como se

Misoginia, sexismo e futebol

By |2018-07-03T11:48:25+00:00julho 3rd, 2018|Categories: Psicologia|Tags: , , , , |

Um fato social ganhou os noticiários nas últimas semanas, envolvendo torcedores brasileiros na Copa da Rússia; esses indivíduos, já devidamente identificados, protagonizaram mais um lastimável episódio de comportamento misógino e sexista que alimenta uma cultura de discriminação, baseada em gênero contra uma mulher russa e loira. Do fato: estes sexistas assediaram a mulher e de forma coercitiva a persuadiram a cantar uma “música” com letra de conotação sexual direcionada à ela e ao seu órgão sexual. Faziam isso protegidos pelo “manto da invisibilidade” idiomática, pois como ficou evidenciado, a mulher não entendia a língua portuguesa; portanto, estava clara a intenção de humilhar, ridicularizar e reforçar o estereótipo da mulher como objeto sexual. E isso, infelizmente é mais comum do que gostaríamos de aceitar e acreditar.

Émile Durkheim (1858-1917), sociólogo francês, em sua obra “As regras do Método Sociológico”, de 1895, criou o conceito “fatos sociais” para classificar os fenômenos que seriam objeto de estudo da sociologia. Para Durkheim, nós agimos a partir de três formas básicas: instinto, costumes e racionalidade. Isto é, há coisas que fazemos que são inerentes à espécie humana, como: comer, beber, dormir, andar, etc., que seriam segundo sua teoria os instintos; ações e não fatos sociais. A racionalidade como forma básica, é uma atitude pensada, planejada, mas seu sentido ou objetivo é desconhecido por outros indivíduos, em outras palavras, esse pensamento não foi externalizado, portanto, é algo subjetivo do sujeito; logo, isso também não seria um “fato social”. Restou-nos analisar os costumes, que dão uma dica de

O Mito de Narciso: e a sociedade de consumo de si mesma

By |2018-06-12T16:51:16+00:00junho 12th, 2018|Categories: Moda|Tags: , , , , , |

Estamos no mês que se comemora o “Dia dos Namorados” no Brasil, 12 de junho, e nada mais temático do que escrever sobre o amor e seus amantes – consumidores de amor -, mas como poderia eu, amante dos clássicos, não introduzir um mito grego nesse artigo que pretende falar de amor e seus enamorados!

Antevendo os questionamentos sobre misturar mitos gregos em discussões atuais, devo, claro, um esclarecimento: os mitos nos ajudam a entender as relações humanas e guardam em si a chave para o entendimento do mundo. Segundo Paula P. Santos, do site infoescola, “O mito surge a partir da necessidade de explicação sobre a origem e a forma das coisas, suas funções e finalidade, os poderes do divino sobre a natureza e os homens. Ele vem em forma de narrativa, criada por um alguém que possuía credibilidade diante da sociedade, poder de liderança e domínio da linguagem […]”. A mitologia grega, está repleta de lendas históricas e contos sobre deuses e deusas, batalhas épicas, heroísmo e jornadas ao mundo subterrâneo, etc., que nos remetem à natureza de nós mesmos. Veja a lenda de Narciso, um belíssimo rapaz que ignora todas as moças e se apaixona por si mesmo… Quem de nós já não esteve em um relacionamento assim? Ou o contrário, o outro ama demais e nos sufoca.

A Psicologia vem estudando as relações tóxicas desde Freud e sua obra introdutória. Sobre o narcisismo: Uma introdução, texto de 1914. E não parou mais desde então. Esse é um assunto

Por que preciso ir ao Psicólogo?

By |2018-05-24T08:22:18+00:00maio 24th, 2018|Categories: Psicologia|Tags: , , , , , |

Essa é uma pergunta recorrente em pessoas que, por ocasião de algum evento traumático ou em função de conflitos pelos quais estejam passando e não consigam administrar sozinhas, fazem, diante da indicação desse profissional. Ou ainda, relatam em tom de tristeza que “precisei” procurar um psicólogo por esse ou por aquele motivo… como se procurar a ajuda de um profissional psicólogo, fosse sinal de fracasso social ou fraqueza pessoal. Outros ainda, o veem como uma punição para a falta de ação diante de um acontecimento inesperado, como por exemplo ser alvo de racismo dentro de uma instituição de ensino superior, fato esse transmitido a poucos dias na mídia, onde a vítima relatava o ocorrido e em tom de queixa dizia que estava fazendo terapia em decorrência do acontecido. Ou ser barrado na porta de um banco e/ou ficar preso na porta giratória do mesmo por ser de etnia afrodescendente. Não saber lidar com essas situações de pronto, não é fraqueza ou mesmo fracasso, mas ser sensível e humano a ponto de não acreditar que existam ainda pessoas que façam isso, em pleno século 21!

Buscar um profissional certificado, ético e competente em sua área de especificidade, é antes de mais nada, um ato de inteligência! É procurar ajuda de um especialista no assunto e não um curioso. É se permitir a abertura de pontos de vista que não tinha antes, para reescrever uma experiência dando um novo sentido; na Psicologia chamamos de ressignificar, em outras palavras, alterar a forma da percepção

O Mito de Sísifo: uma versão carioca

By |2018-05-10T09:04:10+00:00maio 10th, 2018|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , , , |

O retrato da tragédia ética (ou da falta dela) que se abateu no Estado do Rio de Janeiro, sendo transmitido no atual momento nas redes sociais e nas mídias afins, é o de policiais da UPP do São Carlos, região central do Rio, empurrando a viatura morro acima e – diga-se de passagem – sem sucesso; é uma cena digna (ou indigna) de nota!

Essa cena congelada em minha mente me remete à filosofia do absurdo de Albert Camus (1913-1960), que, em seu ensaio filosófico no último capítulo, nos apresenta o mito de Sísifo, que tinha ódio e desprezo pela morte, desafiou e enganou os deuses, e em sua punição, teria que empurrar uma pedra montanha acima por toda a eternidade.

Analogamente nós, cidadãos cariocas e policiais honestos, estamos na mesma cena! Sim, há policiais honestos e os citados acima são um exemplo! É assim que todos nós estamos, tentando e sem sucesso empurrar montanha acima “a pedra” dos nossos impostos e contas como: IPTU, IPVA, luz, gás, água, condomínio, aluguel, prestação da casa própria, multas impostas arbitrariamente, transportes, filas intermináveis para atendimento médico no Sistema Único de Saúde, Escolas Públicas que estão longe da qualidade que se espera em contra partida com os altíssimos impostos cobrados, etc. O que dizer da segurança então? Ela está na UTI, e precisando de múltiplos transplantes de órgãos (públicos), um novo e saudável órgão de Secretaria de Segurança, Governador, Prefeito, Diretorias e Secretarias afins…

Voltando à metáfora grega, Sísifo, pensando que estava quase chegando ao topo

O Ódio Nosso de Cada Dia

By |2018-03-21T17:32:40+00:00março 22nd, 2018|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , |

Estamos vivendo e convivendo com um movimento sombrio e insidioso de ódio, que está aos poucos analogamente como um câncer que se espalha para além do órgão de onde começou para outras partes do corpo como uma metástase. Tal qual a metástase que se espalha por todo o organismo e prejudica o paciente portador da doença, assim, vejo o “paciente” Brasil, adoecido por opiniões e posições radicais e dogmáticas sobre tudo e todos, bem como à situação político-econômico-social. Assim como o paciente enfraquecido, desorientado, esquecido em um leito de hospital, sem direito a opinar sobre sua saúde e como gostaria de ser tratado, o “paciente” Brasil fica à mercê do suposto saber do médico, que lhe impõe exames de toda ordem satisfazendo seu desejo narcísico de formar um diagnóstico único que caiba em sua própria hipótese teórica. Sem direito à replica o “paciente” Brasil, se vê obrigado a se encaixar no olhar do outro.

Isso, me faz lembrar da lenda mitológica “O Leito de Procusto”, uma metáfora da medida única: se sobra, corta: se falta, estica. Procusto era um bandido que assaltava viajantes e os obrigava a se deitar em seu leito de ferro. Caso a vítima fosse maior que o leito, Procusto amputava o excesso de comprimento: se a vítima fosse menor, esticava-a e seu destino era o mesmo. Como nenhuma pessoa era exatamente do mesmo tamanho do leito/cama ninguém sobrevivia. Essa é a armadilha em que se encontra a sociedade brasileira, diante de uma única medida! Quantas vezes somos

O que te motiva?

By |2018-01-25T13:42:30+00:00janeiro 26th, 2018|Categories: Psicologia, Reflexões|Tags: , , , , , , , , |

O que te faz levantar da cama de manhã? O que te impulsiona a fazer o que faz, ou o que não faz? Qual é a sua motivação? Bem, essas perguntas mobilizaram o mundo científico e organizacional, orientando-os como uma bússola na investigação de estratégias de sobrevivência em um cenário profissional cada vez mais competitivo e em constante mudança. Os cientistas, mais precisamente os psicólogos e as empresas, queriam saber por que as pessoas se comportavam desta ou daquela maneira? Por mais importante que essas questões possam parecer, as respostas não eram aceitáveis. E como a vida precede o trabalho, vamos tentar entender o que de fato é a motivação.

Motivação: vem do verbo latino “movere” que significa mover-se. Ambas indicam um estado de despertar do organismo. Portanto, é algo interno! Na psicologia chamamos intrínseco.

Há tantos conceitos quanto teóricos da motivação tentando estabelecer uma resposta mais adequada e/ou científica para a questão. Aqui, vou tentar ser a mais objetiva, clara e sucinta na análise deste tema e convidar você leitor, a descobrir qual é a sua motivação!

Para Vernon (1973, p.11), “a motivação é encarada como uma espécie de força interna que emerge, regula e sustenta todas as nossas ações mais importantes”.  Contudo, é verdade que motivação é uma experiência interna e subjetiva que não pode ser estudada diretamente. É o impulso que está relacionado à necessidade de fazer algo. No início dos estudos sobre a motivação, o desafio era descobrir aquilo que deveria ser feito para motivar as pessoas; no mundo