Fernanda Pinto

About Fernanda Pinto

É portadora de uma doença degenerativa que a impede de controlar seus movimentos, mas desde pequena aprendeu a ir atrás dos seus sonhos. Apesar de ficar sem caminhar durante alguns meses e ter que passar por sete cirurgias, onde se sentiu um pouco melhor, enxergou na escrita uma forma de expressar seus pensamentos, sentimentos e sobre como a doença afetava a si e sua família.

Nossa liberdade de escolha

By |2019-11-11T16:12:28-02:00novembro 11th, 2019|Categories: Reflexões|

Eu e minha irmã do meio, Carlinha, quando éramos crianças entrávamos em conflito por qualquer bobagem. Era por causa de chocolate, porque uma invadia o espaço da outra, até nossas bonecas não podiam se encostar.

Enfim, a gente cresce, amadurece e esses estresses de crianças terminam ficando para trás e o que prevalece entre irmãos sempre é a amizade e o amor.

Certa noite nós saímos para jantar em família e o garçom do restaurante me perguntou o que eu queria beber. Rapidamente alguém respondeu por mim dizendo que eu queria como se não pudesse falar por mim. Sei que este familiar não fez por mal, mas me senti naquele momento tolhida de um direito que todos nós temos, o de escolher o que queremos. Então, foi nesse momento que a Carla interpelou esta pessoa dizendo que eu tinha que escolher o que gostaria de beber.

Isso aconteceu há muitos anos. Com certeza ela não deve nem se lembrar desde fato, que para mim me marcou muito. Eu me lembro como se fosse hoje da vontade que tive de chorar.

Sei que para muitos pode parecer uma grande balela. Para mim foi muito importante, pois ela me devolveu o poder da escolha que algumas vezes nos é tirado. Mas, o principal foi o sentimento que a tocou naquele momento de “empatia” que é tão raro, bonito e genuíno.

Esse acontecimento me fez pensar como nós somos permissivos e deixamos com que membros da nossa família façam escolhas muito mais importantes que simplesmente o suco que

Surpresas da Vida!

By |2019-10-23T16:26:14-03:00outubro 23rd, 2019|Categories: Reflexões|Tags: , , , |

Durante minha infância , jamais pensei que eu teria estas limitações que tenho hoje, Acreditava que teria uma vida completamente normal e comum e que todas as histórias as quais minha avó paterna contava antes de dormir se tornariam reais

Que eu iria dirigir, viajar muito e para o lugar que eu quisesse , teria o meu carro ,  filhos ,uma vida independente …Que eu iria fazer a faculdade que eu gostaria , que eu me casaria, que eu moraria em Londres , talvez em Paris , ou aonde eu quisesse … Enfim , tudo  foi e é completamente diferente das histórias que ela costumava me contar e eu adorava ouvir

Embora ,desde cedo tivesse começado a minha peregrinação por médicos , exames e hospitais . Sabe , nem em sonho eu imaginava que algum dia eu ficaria assim… Mas , como tudo na vida supera-se , e  eu acredito que todos nós temos força para superar  tudo , todos os tipos de perdas , todos os tipos de limitações e todos os tipos de deficiência .

Todos nós temos força suficiente para vencer todo o tipo de barreira e preconceito imposto pela sociedade e muitas vezes por nós mesmos.

Não perder a fé e a esperança em dias melhores é o que nos torna  fortes e vencedores nesta árdua missão que todos temos  , a qual Deus nos deu que é VIVER !

Um dia tudo será como eu quero ? Não sei só , Ele sabe !

Já fomos crianças

By |2019-10-10T14:57:28-03:00outubro 10th, 2019|Categories: Reflexões|Tags: , , , |

Todos nós já fomos criança. Creio eu que o que realmente fica desse aprendizado mágico e único da infância, e que apesar do que muitas vezes a vida adulta nos torna, é que nunca percamos a vontade de aprender sempre mais. A oportunidade de tentar acertar com os nossos erros, conseguindo assim crescer como ser humano. Procurar ter um coração doce e ingênuo, e sermos pessoas verdadeiras, que jamais percamos a felicidade que toda criança encontra nas pequenas coisas da vida.

 

 

 

 

 

Meu pai encenando “Chapeuzinho Vermelho” vestido de lobo mau (futuro médico e pai amoroso de três filhas), minha mãe tocando sua gaitinha (futura psicóloga, representante de São Gabriel em concursos de beleza e mãe dedicada de três meninas), Carlinha sempre muito linda desfilando vestida da flor Margarida (minha irmã amada, amiga e futura dentista), Bruninha brincando com sua boneca (minha irmã conselheira, inteligentíssima e futura médica), Simbinha bebê querendo ser um ursinho de pelúcia (futuro dono do meu coração , sempre meu gurizinho lindo), e eu fazendo pose para a máquina fotográfica (futura escritora, sempre querendo ser modelo).

Que nunca deixemos que a criança existente dentro de cada um se perca em meio ao que a vida adulta exige de nós.

O poder da gentileza

By |2019-07-02T11:18:02-03:00julho 3rd, 2019|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , |

Dia desses fui tomar chocolate quente em um estabelecimento da cidade em que moro. Logo em seguida chegaram três adolescentes e sentaram-se na mesa ao lado da minha. Deste momento em diante comecei a recordar que eu era assim na idade delas. Eu e minhas amigas nos reuníamos nas lancherias da cidade para tomar sorvete, sundae, colegial, banana split, chocolate quente. E obviamente falar nos meninos que a gente gostava, com elas não foi diferente. Entre os diversos assuntos que as meninas conversavam, 100% eram sobre garotos. Coisas da idade! Nós também éramos assim (risos)! As meninas tiravam várias fotos, de vários ângulos para postar nas suas redes sociais.

Bom, na época em que eu deveria ter a mesma idade delas não existia celular, muito menos celular com câmera. Mas nós tirávamos fotos nas nossas câmeras fotográficas e tínhamos que esperar mais ou menos uma semana até as fotografias serem reveladas. A nossa ansiedade para ver estas fotos prontas era algo descomunal. Como também não existia redes sociais eu e minhas amigas guardávamos estes registros como recordação daquele momento. Mas, o que verdadeiramente me surpreendeu nas três meninas foi que elas foram muito gentis comigo, não me olharam como um “ser de outro planeta”. E ainda quando perguntei qual era o nome do chocolate quente que elas estavam saboreando, as três mais que rapidamente me ofereçam os seus para que eu pudesse experimentar. Saí dali muito feliz. Com a certeza que a gentileza e pessoas desprovidas de preconceitos tornarão o mundo

Mais amor, por favor!

By |2019-06-25T10:25:01-03:00junho 26th, 2019|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , |

O amor é como uma dádiva divina. Sinônimo de confiança, respeito, atenção, carinho e solidariedade. Creio eu que só se ama uma vez na vida e quando esse amor chegar, ficará pra sempre. Por mais que o tempo passe, nunca deixará de existir, por mais que estejamos longe ou não vejamos a pessoa amada com tanta frequência; se é amor verdadeiro não existe nada que apague. Sempre existirá amor pra recomeçar, mesmo que dificuldades apareçam, brigas existirem, falta de dinheiro, o amor ainda será mútuo. A cumplicidade, está nunca deixará de existir.

Só ama de verdade quem tem coração livre e liberto, quem não guarda mágoa nem rancor, onde todos os sentimentos sentidos chamam-se amor. No coração de quem não tem espaço para sentidos reversos, para mesquinharias, ou sentimentos vazios. Também existe muito amor no coração de quem ajuda o próximo, não somente com doações em dinheiro. Mas aqueles que também emprestam seus ouvidos, seu ombro, para as pessoas desabafarem e chorarem, está entrega ao nosso semelhante também é uma forma de amor.

Cada pessoa tem seu jeito de amar, tem pessoas que não conseguem demonstrar o quanto nos amam e são nos pequenos cuidados, nas pequenas coisas que demonstram seu sentimento. E com isso aprendemos a “escutar” e interpretar nos pequenos detalhes estas três palavrinhas que gostamos tanto de ouvir “eu te amo” nas entrelinhas destas expressões “cuide-se, vá com cuidado, quando chegar me liga …”

Falando em amor ele também existe no nosso cotidiano e está por toda a parte. Como

Para sempre na memória

By |2019-05-14T16:39:25-03:00maio 15th, 2019|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , , , , |

Sempre que eu lembro do meu primeiro médico que já faleceu, vem esses pensamentos na minha mente: quem assistirá minhas próximas cirurgias? Quem escreverá o prefácio do meu próximo livro? Quem dirá para mim o quanto sou forte enquanto agulha os meus olhos colocando remédio para que eles se mantenham mais abertos?

Quem irá se emocionar junto comigo a cada conquista minha como se fosse mais que meu médico, um verdadeiro amigo?

Toda vez que passo pela rua do seu consultório fico olhando para aquele lugar de longe que eu ia desde que tinha nove anos e penso que nunca mais irei naquele local. Sexta-feira, certamente irei passar por ali e não vou vê-lo. Nunca mais irei ver o senhor.

Ficará guardado para sempre na minha memória afetiva toda a nossa luta para eu ter melhores condições de vida, nossas risadas, alegrias, tristezas, derrotas, vitórias e toda a nossa história. Ficará também o respeito, carinho, amor, consideração e amizade que sempre terei pelo senhor. E, tudo que o senhor fez por mim, sem medir esforço algum! Mas, principalmente fica um espaço vazio no meu coração que nenhum outro médico preencherá! Saudades, Doutor!

Quando preciso de força

By |2019-04-22T08:56:12-03:00abril 22nd, 2019|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , |

Sempre quando preciso de força, encontro nos meus pais, Vania Maria Dotto Alves e Boaventura Pinto, e nas minhas duas irmãs, Carla Pinto e Bruna Pinto.

Quando estou desmotivada, pensando em desistir da minha luta, quando a vida parece sem graça. Eles me mostram que ela é muito melhor que parece ser, me levantam toda vez que caio, ou até mesmo antes de eu tropeçar já estão me aparando!

Com eles eu aprendo a me renovar, a me reinventar, a me reencontrar, a acreditar em mim novamente e em sentimentos, que já estavam completamente desacreditados!

Tudo que sou, a minha persistência, a forma como vejo a vida devo a minha família e alguns poucos e bons amigos!

Em suas palavras encontro a esperança que sempre o melhor ainda está por vir!

Amo vocês mais que tudo!!

A vida

By |2019-04-04T18:11:17-03:00abril 12th, 2019|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , , , , , , |

Em novembro do ano passado completei trinta e nove anos. Conversando com minha psicóloga, disse que queria voltar a ter meus 14, 15, 16 anos. Ela me perguntou o motivo pelo qual eu gostaria que isso acontecesse. Eu falei de alguns aspectos físicos que me incomodam. Sou muito vaidosa. Então, ela me mostrou o outro lado da moeda. Me falando que eu não teria toda a maturidade que possuo atualmente. Nem minha bagagem de vida. E completou dizendo, dentre as muitas coisas que conversamos, que a vida é muito mais que umas ruguinhas que vão aparecendo. Que a vida é muito mais que uns dedos que vão ficando mais tortos com o passar dos anos. Que a vida é muito mais que essas pequenas coisas. Que a vida é as relações que construímos com as pessoas. O amor. A nossa alegria. A nossa maturidade que só adquirimos quando vamos ficando mais velhos.

Eu saí de lá muito pensativa e calada. Pois, para mim está sendo bastante difícil esses quase quarenta. Já estava cheia de neuroses com isso.

Fui dormir pensando em tudo que tínhamos falado naquela tarde. Refleti. Então, decidi superar e ficar feliz por ter meus 39 anos. Foi a atitude mais sábia que poderia ter tomado rsrsrs. Porque a vida é o presente. É o agora. É este instante. E este momento. Eu perderia muito tempo se continuasse me lamentando. Perderia tempo de curtir a vida. Sorrir. Celebrar. Lutar. Amadurecer. Viver. E de ser feliz.

O que é normal?

By |2019-04-04T17:58:09-03:00abril 8th, 2019|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , , , , |

Logo que comecei a usar cadeira de rodas, tinha muita vergonha de estar sendo conduzida por outra pessoa e de não poder caminhar com minhas próprias pernas (mesmo que a culpa por eu ser cadeirante não fosse minha). Foi uma mudança radical na minha vida. Tirava fotografias onde aparecia a cadeira e antes de publicar eu cortava as fotos para que ninguém percebesse este “pequeno” detalhe.

Com o passar do tempo e dos anos fui me adaptando a mais esta nova realidade na minha vida. Aprendo muito com todas as coisas que acontecem comigo. E tenho certeza que eu não seria a pessoa que sou hoje se eu fosse digamos “normal”.

Acho que tudo quando é novo causa certa estranheza nos outros, mas principalmente em nós mesmos. Depois a gente se acostuma, porque “o que não tem remédio, remediado está”. O jeito é seguir a vida sem ter vergonha de ser o que você é.

Jamais se restrinja às regras, tabus, preceitos e convenções de uma sociedade que se diz normal. Se for necessário para que você seja feliz, quebre-os. Em certas ocasiões o melhor que temos para fazer é abstrair. Sempre sendo nós mesmos. Porque normal mesmo é quem possui a felicidade sem ligar para o que os outros pensam.

Todos nós temos limitações

By |2019-03-22T14:41:12-03:00março 19th, 2019|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , , , |

Quando eu saio para me divertir, muitas pessoas queridas e carinhosas vêm falar comigo. Recebo palavras de estímulo, força e carinho: “você é guerreira”; “estou muito feliz por ver você aqui”; “vendo você tão alegre eu me dou conta de como eu reclamo por bobagens”. Estas são algumas das frases que eu escuto por essas minhas andanças. O que me deixa imensamente feliz de escutar palavras tão sinceras que em certos momentos vem acompanhada de lágrimas.

Porém, também vejo muitos olhares preconceituosos e pessoas rindo… Como se eu não tivesse direito de sair de casa e me divertir. Infelizmente, essas situações acontecem há muito tempo, então, já estou blindada e acostumada com esses comportamentos um tanto provincianos. No começo me aborrecia muito, às vezes eu até chorava. Hoje em dia eu tenho muita pena das pessoas que pensam desta forma, não deixo de sair e nem me atingir. Ficar em casa olhando a televisão, deixando minha vida passar por ter limitações e ser cadeirante não é a maneira que eu gosto de viver. Confesso que a alguns anos eu tinha muita vontade de sair e dar minha cara a tapa. Em contraponto, hoje em dia eu mando um “foda-se” bem grande mentalmente e sigo lindamente o baile da minha vida.

O que me deixa realmente preocupada é que já estamos em pleno século XXI e, na minha concepção, era para nossa sociedade estar mais evoluída em tudo que diz respeito a palavra “preconceito”. Em tempos, onde fala-se tanto sobre inclusão social, era