Fernanda Pinto

About Fernanda Pinto

É portadora de uma doença degenerativa que a impede de controlar seus movimentos, mas desde pequena aprendeu a ir atrás dos seus sonhos. Apesar de ficar sem caminhar durante alguns meses e ter que passar por sete cirurgias, onde se sentiu um pouco melhor, enxergou na escrita uma forma de expressar seus pensamentos, sentimentos e sobre como a doença afetava a si e sua família.

Ballet

By |2018-12-04T14:47:38+00:00dezembro 4th, 2018|Categories: Reflexões|Tags: , |

Todos nós temos muitas lembranças dentro do nosso coração. Às vezes elas são boas, outras nem tanto. Também possuímos aquelas que tem algo a nos dizer, ou seja, ensinamentos. Esses dias fui passear no shopping e por acaso parei bem na frente de uma loja infantil que dentre muitas coisas, vendia roupas de ballet. O que fez com que eu adentrasse no meu baú de memórias e recordações. Nos minutos que ali fiquei observando as sapatilhas e saias, comecei a recordar de uma época muito longínqua, onde eu fazia aulas de ballet por orientação da minha neuropediatra (para que eu tivesse mais coordenação motora e equilíbrio). Eu deveria ter uns quatro anos, morava em Itapiranga (Santa Catarina). Então, fui escolher meu uniforme para minha nova atividade. Eu queria tudo cor-de-rosa, inclusive até os dias atuais é uma das minhas cores favoritas. Me mudei para outra cidade e comecei as aulas novamente. Um dia que parecia ser normal como qualquer outro, foi totalmente atípico na minha vida: a professora fez uma prova surpresa dos passos de ballet. Eu estava bem despreocupada aguardando minha nota, foi quando eu escutei: “Fernanda, sua nota é zero.” Nossa! Me deu uma imensa vontade de chorar e sair correndo daquele lugar. Imagina a vergonha para uma criança. Além da minha vexaminosa situação, tive que olhar para o rostinho das minhas coleguinhas e ver quase todas rindo de mim (o que eu super entendo hoje em dia, pois crianças são crianças). Mas naquele momento, eu queria mais

Saudades

By |2018-11-27T13:35:17+00:00novembro 27th, 2018|Categories: Reflexões|Tags: |

Faz falta alguém que sinta saudades de verdade, saudades “fakes” são tão comuns ultimamente. E essa palavra que possui oito letras para mim é tão intensa e verdadeira. Saudade é um sentimento estranho, que às vezes nos faz sorrir, outras nos faz chorar. Existem músicas, lugares, cheiros, roupas que nos fazem sentir saudades e nada nesse momento de introspecção total minimiza nossas lembranças. Saudades de quem fala o que sente sem constranger o coração nem alma de alguém. Saudades de quem consegue tocar o coração com simples palavras e atitudes. Saudades de quem sente saudades sem precisar esperar amanhecer. Mas não dá para viver só do passado e no passado. Temos que seguir em frente. Ter novas lembranças, sensações, companhias, ir a novos lugares. Em certos momentos temos que sufocá-la, parar de alimentá-la, pois nem sempre nos faz bem. Sentir saudades é normal. O que não podemos é deixar que ela penetre dentro das nossas entranhas e passemos a viver de saudades. Para isso não acontecer, o melhor a fazer é abrir a janela do nosso coração e olhar para nosso presente com sabedoria, e criar um futuro com alegria e esperança buscando novas lembranças que aquecerão nossos dias e daqui algum tempo irão tornar-se saudades. Permita-se sentir saudades, porém não deixe com que ela faça parte do seu cotidiano. Saudades… Só isso e mais nada!

A princesa e o Florisbelo

By |2018-10-23T10:25:22+00:00outubro 31st, 2018|Categories: Reflexões|Tags: , , |

Nascera uma linda princesinha com belos cachinhos dourados e um par de olhos azuis os quais mais pareciam duas safiras. Ela se chamava Margarida porque, assim como as flores, era delicada e perfumada. Os seus pais, o rei e a rainha, não tinham outros filhos. Eles precisavam arrumar um príncipe a altura de sua única filha e herdeira de todo o reino de Cozan para casa-la. Só que ela havia nascido sem um dos dedos de sua bela mão. Margarida cresceu e teve uma infância feliz, apesar deste seu pequeno defeito. Como já havia completado dezoito anos, tinha que casar-se conforme as rígidas leis do reino aonde viviam. Mas, todos os príncipes que seus pais haviam conseguido, quando iam colocar o anel de noivado e viam que ela não possuía o seu dedo anelar, desistiam do casamento. Ela ficava inconsolável, chorava muito quando seus pretendes a desprezavam. Porém, rapidamente recompunha-se, voltava a sorrir e caminhar pelos jardins com flores dos mais diversos tipos do palácio com seu único amigo, Florisbelo, seu passarinho de estimação, o qual conversava todas as noites em seu esplêndido quarto.

Margarida contava para ele que se sentia triste e agoniada por nenhum dos príncipes quererem firmar compromisso, ficava a perguntar-se o que seria do seu reino caso ela não casasse e se punha a imaginar o quanto seus pais ficavam chateados. Embora ela fosse sorridente e brincalhona, seus olhos refletiam uma tristeza peculiar.

Um belo dia de sol, ela saiu para passear como já era de costume, com

Jillian Mercado, na moda!

By |2018-10-23T09:53:26+00:00outubro 25th, 2018|Categories: Reflexões|Tags: , , |

Redefinir a beleza? Aceitação? Novos padrões? Limitações? Tenho certeza que todas essas palavras se encaixam com o nome de Jillian Mercado. Uma jovem menina, de 28 anos que foi diagnosticada com distrofia muscular ainda na barriga da sua mãe. Sinônimo de superação, usando cadeira de rodas desde a infância, nunca deixou que sua condição física atrapalhasse seu sonho de trabalhar com moda. Com um sorriso nos lábios e uma enorme vontade de vencer foi estudar gestão de merchandising no Fashion Institute of Technology, em Nova Iorque, com foco no mercado editorial. Durante seu período de estágio, passou pelas revistas Allure e Veranda, e em paralelo a isso, alimentava seu blog de moda diariamente.

Em 2013 foi convidada para participar de uma campanha de moda da marca Diesel que trazia modelos fora do padrão, foi sucesso total. Recentemente assinou contrato com a agência IMG, a mesma da top model Kate Moss e estará presente nas melhores e maiores campanhas de moda do mundo.

Por isso se você se encontra triste e frustrado, achando a sua vida ruim, que nada tem jeito, está acomodado na sua zona de conforto (o que acontece várias vezes comigo), não deixe a peteca cair! Olhe para o lado que encontrará pessoas lutando para ter uma vida digna, batalhando para fazer algo de útil, para ter algum sentido na vida, muitas vezes se encontrando em piores condições físicas ou financeiras que nós (sempre me falam isto toda vez que começo a reclamar). O que nos falta de vez em

Sobre mim

By |2018-09-21T10:29:39+00:00setembro 21st, 2018|Categories: Reflexões|Tags: |

No ano passado, mais precisamente no mês de novembro, fez vinte e três anos que completei quinze anos. Durante todos estes anos aconteceram muitas coisas na minha vida. Uma delas foi descobrir que apesar de todas minhas limitações consigo ter uma vida independente e morar sozinha. Claro que com a ajuda das meninas que me cuidam e o zelo, carinho e amor dos meus pais, irmãs e amigas.

Nunca esqueci de um boato que correu pela cidade que eu moro quando fiquei sem caminhar por volta dos meus dezessete anos. As pessoas diziam que eu não conseguiria chegar aos dezoito anos. Soube disso por umas das minhas irmãs que havia escutado no colégio, na época ela era muito pequena e não sabia as proporções e nem a tristeza que esta fofoca me causaria. Mas aos fofoqueiros e boateiros de plantão digo que se depender de mim ficarei nesse mundo por muito tempo.

Em todos estes anos aprendi muito e com certeza aprenderei ainda mais, pois a vida nos ensina um pouco todos os dias. Quando tinha meus quinze anos aprendi sobre amizade verdadeira e ainda continuo aprendendo, a vida nos proporciona muitos tombos com esse amor chamado amizade. Também consegui aprender que não preciso sair todos os finais de semana, comprar muitas roupas, ter muitos acessórios, ter muitos amigos para ser feliz. Acho que antes queria recuperar o tempo perdido durante minha adolescência e boa parte da minha vida adulta, o qual fiquei impossibilitada de sair. Hoje consigo ver minha felicidade em

É possível ser feliz

By |2018-08-29T10:17:13+00:00agosto 29th, 2018|Categories: Reflexões|Tags: , , |

No Rio de Janeiro tem muito tiroteio, bandido, assalto, muitas vítimas de bala perdida? Infelizmente tem, sim! Mas também possui muitas coisas boas que os noticiários não mostram.

Tem muita gente honesta vendendo bala no sinal, pessoas enfrentando o calor da praia vendendo lanches, biquínis, bijuterias para ter o que comer. Projetos sociais que dão certo porque as pessoas se preocupam em ajudar o próximo e não com a vida alheia.

Aqui as pessoas saem para a balada com o intuito de se divertir e não de brigar. Todos divertem-se com suas turmas, porém a maioria é sempre muito receptiva. Nunca ficamos (eu e a cuidadora) em um canto sozinhas. Sempre tem alguém para dançar, rir e conversar com a gente, o que torna as festas bem mais legais.

Ninguém está preocupado com status social, roupas ou carro, porque o status é a alegria.

Isso que eu nem falei em entretenimento, vida cultural extremamente rica, na natureza e nos lindos pontos turísticos conhecidos no mundo todo.

Como em tudo na vida, tem seus prós e contras. Acho eu, que os telejornais deveriam pelo menos, de vez em quando, mostrar as belezas da “Cidade Maravilhosa”, e não só tragédias e violência. Não vivo em nenhum conto de fadas, sei bem a realidade desta cidade. Fatalidades acontecem, inclusive dentro da nossa casa. Claro que temos que tomar certos cuidados e precauções para não dar chance para o azar. Eu acredito que só partimos desse mundo quando for nossa hora.

Pena que tantas pessoas ficam aprisionadas em suas casas

O Lado Bom da Vida

By |2018-08-14T15:34:30+00:00agosto 14th, 2018|Categories: Reflexões|Tags: , , , |

Ao começar a aceitar que ninguém é perfeito, que todos erram e que devemos entender o que somos, que sorrir e ser alegre é uma das melhores coisas que existe, comecei a acreditar na vida e nas pessoas como elas são.

Quando percebi que ficar se lamentando não é solução para os meus problemas e que tudo tem um propósito, parei de reclamar e culpar a Deus por minhas vicissitudes. Quando passei a acreditar em mim mesma, nos meus objetivos e sonhos, consegui prosseguir a caminhada.

Quando entendi que dinheiro não é tudo, que as roupas que uso e as coisas que tenho ficarão por aqui, e que tudo na vida tem um sentido quando nutrimos sentimentos bons e alimentamos a nossa alma, que minha família são os melhores amigos que tenho, passei a ver o mundo com outros olhos.

Precisei perder minha fé, alguns amigos que achava que tinha, minha adolescência e minhas referências para então resgatar valores, meu “eu“e me reinventar com novas possibilidades. Como diz minha mãe, o que a gente não aprende com amor, nós aprendemos na dor.

São coisas simples estas que escrevi acima e que todas as pessoas sabem (ou pelo menos deveriam saber) mas poucos entendem.

No caminho dos seus sonhos

By |2018-07-11T14:40:46+00:00julho 11th, 2018|Categories: Psicologia, Reflexões|Tags: , , |

Aprendi nessa vida que ninguém é melhor que ninguém

Que nossos dons não são nossos e sim de Deus

Que chorar alivia

Que nós somos nossa essência

Que amor próprio é essencial

Que nem sempre orgulho é defeito

Que realmente quem possui amigos verdadeiros tem tudo e mais um pouco

Que se vão os anéis, mas ficam-se os dedos

Que loucuras sadias fazem um bem danado ao nosso coração

Que ninguém é obrigado a nada

Que não devemos aceitar menos do que acharmos que merecemos

Que cada um oferece o que tem no coração e cada um recebe com o coração que tem

Mas principalmente que limitações são meros detalhes, porque todos nós podemos realizar nossos desejos e vontades. E mais do que tudo, merecemos ser felizes. Pois nada é tão impossível que juntando todas as nossas forças não consigamos alcançar dentro de cada possibilidades.

Sonhos e objetivos existem e tenho plena certeza de que todos que correm atrás um dia chegam aonde almejam.

Eu creio na vida, no amor e em Deus!

Descubra as vantagens de ser você

By |2018-06-21T08:46:06+00:00junho 21st, 2018|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , |

Existiu um ciclo na minha vida, por volta dos meus 14, 15 e 16 anos, em que o pior preconceito que eu sofria era meu. Eu possuía uma vergonha absurda da minha voz. Não falava com pessoas desconhecidas e, por achar que ninguém era obrigado a ouvir a minha voz, não gostava de conversar com meus amigos pelo telefone. Eu tinha muita vergonha da falar sobre minha doença e não conseguia entender o que estava se passando comigo. Obviamente eu tampouco me entendia.

Muitas vezes o preconceito ou o pré-conceito começam por nós mesmos. Porém, precisamos entender que ninguém é perfeito e todos nós possuímos limitações, sejam elas quais forem.

Recordo-me dessa época com pesar do tempo em que perdi tendo vergonha de mim. Contudo, hoje sei administrar melhor o que aconteceu comigo. Falo com todo mundo, quando me perguntam algo sobre o porquê de eu ser assim respondo atenciosamente e aonde quer que eu precise ir, sempre saio muito feliz com a minha cadeira de rodas. Afinal, a vida é para todos nós sermos felizes e curtirmos adoidados (risos).

Coisas boas acontecem, toda hora e a todo momento. Comigo e com você. Precisamos olhar mais para dentro de nós e dos nossos pensamentos. Ter sempre pensamentos bons sobre nós mesmos e as pessoas que conhecemos. Transformá-los em um aliado na vida. Termos sonhos para serem conquistados torna-se ainda mais essencial. Precisamos da luz do dia, das luzes piscando na balada ou da linda luz do luar. Precisamos de ar puro, do vento

O Futuro

By |2018-05-11T10:38:07+00:00maio 14th, 2018|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , , , , , |

Não sei qual será meu futuro, mas alguém sabe? A nossa vida passa tão rapidamente que quem é esperto curte cada segundo e sabe que nós somos frutos das nossas experiências adquiridas no passado, nossas expectativas e objetivos no futuro.
Vale sonhar, acreditar em coisas novas e ser sempre você mesmo. Não se acomodar e fazer algo novo.
Até aonde eu me lembro ainda não havia compartilhado com vocês nada sobre a minha cirurgia no pescoço. Pois é, uma das minhas cirurgias foi neste local. Ela precisou acontecer porque eu tinha muita contração neste lugar, era tão forte que minha cabeça ficava quase grudada nas minhas costas. Eu não conseguia enxergar nada que estava na minha frente, nem o meu rosto no espelho, por último tinha muita falta de ar e não estava conseguindo comer nada sólido. Toda minha comida era liquidificada. Foi uma época bastante difícil porque eu odeio sopa (risos). Não, né gente, não foi só por isso. Obviamente!
Fiz três cirurgias no meu pescoço. A primeira, em 2004, foi bem menos invasiva e não deu certo. A segunda, em 2006, era irreversível, pois todos os meus músculos seriam seccionados. Eu ainda corria o sério risco de ter o meu sistema respiratório comprometido para sempre caso os médicos cortassem uma inervação errada.
Meus pais ficaram bastante temerosos com a intervenção. Porém eu queria muito, não aguentava mais viver daquele jeito. A cirurgia tinha que ser precisa, não poderia ter erros. Então, o neurocirurgião realizou pesquisas em cadáveres da universidade em que ele