Uma das nossas únicas certezas em Roma era de que queríamos ver o Papa. Chegamos lá e minha irmã, Carla, foi logo pesquisando na internet como faríamos para realizar nosso desejo.

Foi assim que ela descobriu que nas quartas-feiras existia uma audiência com o Papa e que, para participar, era necessário fazer uma inscrição e seguir uma série de passos burocráticos se quiséssemos ter o privilégio de vê-lo mais de pertinho. Feito tudo isso, agora só tínhamos que aguardar o e-mail de confirmação de que teríamos nossos lugares garantidos na ”Piazza San Pietro”. O tão esperado e- mail chegou pedindo para que a Carla fosse até o Vaticano buscar nossos convites.

No tão aguardado dia nós acordamos cedinho e nos dirigimos até ao Vaticano para pegar um bom lugar. Entrando no local, os seguranças disseram que eu e mais um acompanhante poderíamos ficar em um local mais privilegiado para assistir a missa celebrada pelo Papa Francisco. Então, eu e minha mãe nos dirigimos até o espaço que nos foi indicado, que realmente era bem mais perto. Ali era reservado para portadores de necessidades especiais.

Começou a tocar uma música muito alegre e ao mesmo tempo seu som parecia mágico. A melodia anunciava que o Papa estava adentrando a Piazza. Aquela música de letra simples, mas um tanto simbólica, deixou meu coração cheio de felicidade e gratidão por poder participar de um momento tão grandioso na minha vida. Quando avistamos o Papa móvel eu fiquei radiante. Ele passou bem atrás da gente e eu rapidamente coloquei minha cadeira de forma que eu pudesse vê-lo melhor. Foi quando um senhor que fazia parte da segurança veio até mim, fez cara de indignado e, com um tom de voz bravo, falou em italiano “Depois ele vem aqui” e mandou que eu ajeitasse minha cadeira como estava antes. Eu fiz o que o senhor tinha ordenado, mas pensei para mim mesma “Jura que o Papa vai vir aqui!”

Pois não é que mordi minha língua, ou melhor meu pensamento? Depois que a missa terminou ele se dirigiu até onde nós estávamos (portadores de necessidades especiais), cumprimentando e abençoando um por um. Quando ele foi se aproximando, muitos sentimentos se misturaram, ansiedade, gratidão, amor, felicidade e nervosismo adentraram no meu peito, fazendo parte de mim por algum tempo. Quando chegou minha vez e pude ver o Papa na minha frente, senti uma paz enorme e uma energia absurdamente positiva vindo em minha direção. Eu e minha mãe ficamos tão atônitas que não sabíamos o que falar. Saímos dali muito felizes e gratas por tudo que tínhamos presenciado. E eu fiquei fora do ar por longos minutos.