Ângela Maria: dos Rádios para o Mundo

By |2018-10-23T10:03:54+00:00outubro 27th, 2018|Categories: Cultura|Tags: , , |

Mais uma perda inenarrável para o mundo da música. Ângela Maria se foi e deixa eternizado para nós o legado do seu trabalho, da sua música e a sua voz.

Com 89 anos e mais de 70 anos de carreira, Ângela é um bom exemplo daquilo que podemos chamar de “grande cantora” que, apesar de ter mais afinidade com o canto lírico, a intérprete garantiu seu espaço na música popular brasileira, nos sambas-canções, boleros, toadas e sambas stricto sensus, o que possibilitou ser considerada por muitos como “A Cantora do Povo”, sendo eleita em 1984 a Rainha do Rádio (não era para menos).

Sua carreira transpassou os rádios da década de 1950 e chegou à televisão, desde o ínicio desse que era, até então, a maior novidade no mundo midiático. Além disso, foi presença marcante no cinema. Isso fez com que ela se torna-se um grande ídolo do povo e, consequentemente, menosprezada pela crítica “intérprete de uma safra de compositores de segundo time”.

Confesso que pouco acompanhei as músicas cantadas por Ângela, assim como não li todos os livros de Jorge Amado (dois no máximo). Mas não podemos deixar de reconhecer a importância de uma artista como Ângela apenas pelo motivo de ~ não acompanharmos ~.

Todavia, confesso também que a versão de “Nem Eu”, composta por Dorival Caymmi, cantada por Ângela me faz mais feliz do que quando cantada pelo próprio compositor.

Apesar de uma grande voz, sofreu como as demais cantoras de rádio com o surgimento da Bossa Nova, Jovem Guarda e tropicalismo,

XVII Grande Prêmio do Cinema Brasileiro

By |2018-10-23T09:23:44+00:00outubro 23rd, 2018|Categories: Cultura|Tags: |

Antes de mais nada, ou antes de tudo, esse post é para agradecer pela existência desse prêmio e os demais prêmios direcionados ao cinema brasileiro. Já que mundo afora são poucos os que nos valorizam, a gente mesmo se valoriza (só falta o grande público se engajar mais).

Dia 18 de setembro de 2018 aconteceu o XVII Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, organizado pela Acadêmia Brasileira de Cinema (ABC).

Inicialmente foi apresentado por Charles Fricks e Laila Garin (Os apresentadores do Prêmio) de forma teatral como uma homenagem ao cineasta Nelson Pereira dos Santos. Além disso, Laila foi acompanhada da Banda “A Roda” na execução da trilha sonora escolhida para acompanhar a encenação.

Antes do início da premiação propriamente dita, Jorge Peregrino, atual presidente da ABC, prestou uma homenagem ao ex-presidente da Academia e cineasta Roberto Farias, falecido em maio deste ano. Junto à homenagem foi transmitido o filme “Assalto ao Trem Pagador” de 1962 e dirigido por Farias.

O filme “Bingo: o rei das manhãs” teve o maior número de indicações e de prêmios recebidos, incluindo melhor ator e melhor filme.

A grande homenageada da noite foi Fernanda Montenegro. A emoção tomou conta de todos no momento do reencontro de Fernanda com o ator Vinícius de Oliveira, com quem contracenou no filme “Central do Brasil” em 1998 e a garantiu a indicação para o Oscar (não trazendo-o para o Brasil como exemplo da maior injustiça internacionais que o nosso país já sofreu).

Antes de encerrar e divulgar os vencedores, parabenizo a direção do evento que

Crítica: O Nome da Morte (com spoiller como sempre)

By |2018-09-14T15:17:26+00:00setembro 14th, 2018|Categories: Cultura|Tags: , |

O filme, que é estrelado por Marco Pigossi e Fabiula Nascimento, conta a história de um assassino de aluguel, Júlio Santana, e é baseado em uma história real. Na trama, Júlio se demonstra em completo desgosto para com a borracharia da família, o que o faz ser convencido pelo seu tio, Cícero (André Mattos), admirado com a sua pontaria, para mudar-se para a capital do estado de Tocantins, onde trabalharia como policial.

Lá chegando descobre a verdadeira intenção do tio: colocar o garoto como matador de aluguel. Inicialmente o ainda jovem protagonista se mantém resistente à profissão, até perceber que disso teria riqueza.

Como 150% dos filmes, ele gira em torno de uma história de amor. Maria (Fabiula Nascimento) é uma mulher mais velha que o protagonista e ambos se apaixonam e resolvem por constituir casamento e família. Ela, iludida pela profissão de fachada do marido, vive com considerável conforto, apesar de humilde.

Certa vez Júlio falha na execução de um crime e acaba preso, quando é descoberto e abandonado pela esposa. Depois de algum tempo ele e Maria retomam a relação e acordam em viver honestamente e juntos. Passam a viver miseravelmente tendo que escolher entre a carne e o pão, até que o galã recebe proposta para voltar à vida de assassino de aluguel, matando quem fosse sem julgamento de mérito. Ambos aceitam e começam a viver uma vida abastada até o filho do casal ser assassinado. Voltam a miséria e, aparentemente, inicia um ciclo de miséria-riqueza.

Bem, a moral do filme

Post Extraordinário para uma atriz extraordinária: Beatriz Segall

By |2018-09-11T17:15:00+00:00setembro 11th, 2018|Categories: Cultura|Tags: , , |

Este post é extraordinário não no sentido de magnífico.

Faleceu a nossa Segall. Muitos acham que Beatriz Segall não é brasileira. “Ela é boa demais pra isso”. Mas sim, Segall é brasileiríssima, carioquíssima. Nascida no Leblon de Manoel Carlos, poderia se chamar Helena, mas seu nome era Beatriz de Toledo.

Tendo seu ofício mascarado pelo conservadorismo da década de 40, formou-se professora e passou a lecionar em uma escola municipal em Santa Cruz, Rio de Janeiro. Talvez nem tão mascarado assim, afinal continuou investindo em si mesma como atriz. O investimento rendeu frutos e a lindíssima foi à Paris fazer usufruto da sua bolsa para estudar Teatro na Cidade Luz, contrariando a vontade do pai.

Em 1954 firmou matrimônio com Maurício Segall, um judeu filho do pintor Lasar Segall, passando a morar em São Paulo, na mesma casa onde viveu até a manhã do dia 5 de setembro de 2018. Mãe de três filhos, deu uma pausa na carreira de atriz e se dedicou totalmente à maternidade e foi obrigada a retornar ao Rio quando o marido foi preso durante a Ditadura Militar.

Beatriz, agora já Segall, teve uma longa carreira antes de cair no carinho do público. Apesar de ser amplamente conhecida e comentada como a vilãzona, a maior de todas, a minha favorita, Odete Roitman, a personagem não foi a primeira da atriz, nem se quer a primeira na Rede Globo.

A estreia na emissora veio em 1978, na novela Dancin’ Days de Gilberto Braga interpretando Celina. Posteriormente, em Pai Heroi, de Janete

Não nos resta nada e o que nos resta é tudo: Adeus, Museu Nacional

By |2018-09-06T18:03:07+00:00setembro 6th, 2018|Categories: Cultura|Tags: , , |

O sentimento que eu tive na madrugada do dia 2 de setembro para o dia 3 foi tristeza. Enquanto eu estava concentrada nos artigos de Direito Desportivo, Comercial e Tributário, o pior aconteceu. Foi numa pausa para uma água e uma checada no WhatsApp que surgiu bem na minha frente o fogo no Museu Nacional.
Em um primeiro momento eu pensei em nada, só consegui ficar em choque. Em segundo momento eu segui sem conseguir pensar em nada, só consiguia estar em choque. Em choque com o tudo que perdemos, em choque com o descaso com a nossa história, com a nossa gente, como o nosso povo.

“MATARAM A LUZIA DE VEZ!”

Não vou aqui delimitar culpados por essa lástima ocorrida, não vou dar uma listagem de coisas e pessoas que deveriam ter evitado isso. SIM! EVITADO. Até porque não adianta culpar apenas as autoridades se nós mesmos, cidadãos comuns, não valorizamos a nossa história. Prova disso é a famosa frase “quem vive de passado é Museu” usada de forma pejorativa.
Vim falar do sentimento que fica no coração de uma pessoa que ama história, ama a história brasileira, ama museus, que estuda, que gosta de pesquisa e produção de conhecimento: o sentimento que fica no meu coração.
Fui no Museu Nacional uma única vez, na época que eu ainda não tinha muitos amigos no Rio. Eu estava sozinha. sozinha não, com 20 milhões de itens que contavam a nossa história.
O primeiro e o mais velho de tudo que o Brasil tem estava lá. Estava.

Sua Majestade o Museu Nacional, está morto.

By |2018-09-04T15:36:23+00:00setembro 4th, 2018|Categories: Cultura|Tags: , , , |

Criado pelo visionário D. João VI, em 06 de junho de 1818, e inicialmente sediado no Campo de Sant’na, região central do Rio de Janeiro, o Museu de História Natural, em princípio, tinha como função educar e esclarecer a população para as riquezas e potencialidades da história da humanidade e sua evolução através dos séculos. Por 200 anos, ele foi protagonista da riqueza e da expansão marítima portuguesa, suas causas e consequências, sobretudo a colonização do Brasil, até a proclamação da Independência por D. Pedro I.  Ele era um gigante! Tão monumental em beleza estética arquitetônica, quanto no número de itens em sua magnífica coleção de 20 milhões de peças históricas. O Brasil, que se importa com a sua história, cultura e memória, está de luto!

No ano de seu bicentenário sua “Majestade” o Museu de História Nacional do Rio de Janeiro, foi palco de uma tragédia tão grandiosa, quanto sua própria história; no dia 02 de setembro de 2018, às 19:30, começou um incêndio de proporções e consequências épicas em suas dependências e que consumiu 200 anos de trabalho, e pesquisas que remontam ao processo de construção da Nação e seus desafios. Este conjunto arquitetônico e seu arquivo histórico, jazem hoje, sob cinzas.

Esta obra de arte a céu aberto e templo do conhecimento, estavam relegados ao ostracismo, ao esquecimento, à negligência, e à falta de investimentos para sua devida preservação; falta de recursos?, não! Falta de vontade política, falta de honestidade, dignidade e respeito com a aplicação do dinheiro público;

FARIAS, Roberto. “Uma vida dedicada ao cinema”.

By |2018-06-06T08:17:17+00:00junho 6th, 2018|Categories: Cultura|Tags: , , , , , , , |

Em meio a um mês de maio muito tumultuado e um semestre sobrecarregado, chego atrasada para homenagear Roberto Farias, mas homenageio. Antes tarde do que nunca.

14 de maio foi mais uma segunda-feira, dessa vez mais triste do que o normal. Em meio a um dia nublado, recebi a notícia do falecimento de Roberto Farias. Logo eu, fã do cinema brasileiro e que estagiou durante um tempo na Agência Nacional do Cinema.

Não tem como falar de cinema no nosso país sem o associar ao Roberto. O sobrenome “Faria(s)” é muito importante para o audiovisual brasileiro e, seja nas telinhas ou nas telonas, sempre se fez presente. É impossível traçar a história dos nossos filmes e desvinculá-la desse sobrenome.

Eu mesma me apaixonei pelo cinema brasileiro com o chamado “Cinema Novo”, que tem como um de seus principais expoentes o filme “Pra Frente, Brasil!”, dirigido por Roberto Farias. Uma das aulas mais emocionantes da minha vida no ensino médio foi a de “produção cultural brasileira”. Lembro-me até hoje do professor sinalizando o nome de Roberto em todas as “escolas do audiovisual”. Confesso que me orgulhei.

Entre os extremos das chanchadas (onde estreou como diretor em “Rico Ri à Toa”), o realismo e a ousadia do Cinema Novo, Roberto estava lá.

Neste momento, não nos resta muito além de agradecer por tudo o que Roberto fez pelo nosso audiovisual desde sempre, para a televisão e para o cinema. Quem perde é o cinema, quem perde é o cinema brasileiro.

 

À família as condolências e o meu carinho.

Ao

Tributo à Carrero

By |2018-03-12T11:14:02+00:00março 14th, 2018|Categories: Cultura|Tags: , , , , , , , , , |

Faleceu no último dia 3 a atriz Maria Antonieta Portocarrero Thedim, Tônia Carrero. O mundo cênico brasileiro chora! Tônia entrou na minha vida em 2004 com Senhora do Destino (último trabalho na TV da atriz), novela de Aguinaldo Silva, reprisada recentemente no Vale a Pena Ver de Novo. Posteriormente a atriz ainda fez participações no cinema e no teatro.

Eu não posso dizer que acompanhei a carreira de Tônia porque como vocês sabem eu nasci em 1997, quando ela fez a sua última novela eu tinha apenas 7 anos. Ela ressurgiu na minha vida em 2013, quando o público elegeu “Água-Viva” (1980) como a nova reprise do Canal Viva. Foi aí que me apaixonei por Stella Simpson, pela beleza de Tônia e pelo seu grandioso talento. Gilberto Braga, o autor da novela, aparentemente escreveu Stela para Tônia, caiu feito luva, e como consequência da perfeição veio o Prêmio APCA 1980 – Associação Paulista de Críticos de Arte – como melhor atriz de televisão.

Nesse post eu vou me ater a comentar sobre Stella Simpson e a interpretação que Tônia deu a esta personagem porque, salvo engano, não vi outros trabalhos da atriz por inteiro, sempre cenas soltas – e diga-se de passagem, maravilhosas – ao lado de Paulo Autran e John Herbert.

A personagem é milionária, boa gente e ajuda todo mundo de qualquer forma que precisar, desde financeiramente

#TurnêCaravanas

By |2018-03-12T08:19:44+00:00março 12th, 2018|Categories: Cultura|Tags: , , , , , , |

Finalmente esse post.

Quem acompanha o blog já sabe (e para quem está começando agora já captar a mensagem) que eu sou fã de Chico Buarque. Vocês podem conferir no meu primeiro post como colaboradora deste espaço.

Depois de 7 anos realizei o sonho de ir a um show de Buarque e o melhor é que fui em dois. Comprei meu  ingresso em outubro, logo nos primeiros minutos de abertura de venda para o show que ocorreria em São Paulo, 04 de março de 2018. Começou a contagem regressiva e a data parecia inalcançável.

Chegou janeiro e minha amiga me deu uma surpresa: um par de convites para o camarote de uma das apresentações no Rio de Janeiro, 20 de janeiro de 2018. A emoção foi tanta que eu fui fantasiada de Chico Buarque (eu digo que eu visto a camisa mesmo). Cheguei lá com o CD na ponta da língua.

Contive o choro que estava eminente após o tocar do terceiro sinal até as notas introdutórias de “Todo Sentimento”. Desabei com gosto e chorei igual um bebezinho. Foram muitas emoções ao mesmo tempo! O fato se repetiu no segundo show que fui, pouco mais de um mês depois. Dessa vez eu estava na cara do palco, praticamente na boca de cena. Foi incrível de ver.

Outra coisa muito destacável é o entrosamento da equipe (aqui incluo os contrarregras). Confesso que ver Chico Batera ali, na minha frente, me deu vontade de gritar. E a presença de Bia Paes Leme no palco. QUE MULHER! Bia

Tag Livros e A Praça do Diamante

By |2018-02-14T07:33:21+00:00fevereiro 14th, 2018|Categories: Cultura|Tags: , , , , , , , , , , , , , |

Organizei minhas contas e realizei um sonho antigo, assinar o Clube de Leitura “Tag Livros – Experiências Literárias” [https://taglivros.com/]. Eu queria fazer parte desse clube desde o momento em que o descobri.

O plano anual custa R$ 62,00 mensais. “Nossa, Ingrid, que caro!”; Não é caro, não, gente. Vale a pena se você curte um livro físico e ainda por cima, assim como eu, ama ver a estante cheia deles! Todo mês vai chegar um livro surpresa na sua casa, um box colecionavel, um marcador de página, uma revista falando sobre o autor, sobre o curador daquele mês e o motivo da escolha do livro – além de uma prévia do livro do próximo mês, possibilitando a troca dele caso você já tenha lido, mas sem revelar o nome – e uma lembrança que tenha a ver com o livro ou com o momento do ano. E por que vale a pena? Por dois motivos. O primeiro deles é que você vai sair da sua zona de conforto de leituras e vai conhecer outros autores, outros gêneros, outros países e outras realidades

Eu, por exemplo, na primeira experiência saí da minha zona de literatura brasileira e biografias e cai de cara em Mercè Rodoreda da Catalunha (Espanha). Nunca tinha ouvido falar dela e a minha primeira caixa trouxe ela, a Guerra Civil Espanhola e “A Praça do Diamante”. O segundo motivo é a estética. O