O Rei Leão | Live Action (PODE CONTER SPOILER)

By |2019-08-07T10:27:03-03:00agosto 7th, 2019|Categories: Cultura|Tags: , , , , , , |

“É o ciclo sem fim que nos guiará
À dor e a emoção, pela fé e o amor!
Até encontrar o nosso caminho neste ciclo,
neste ciclo sem fim”

A releitura do clássico dos anos 90 foi vendida para o público como o primeiro Live Action (estilo cinematográfico para identificar projetos realizados por atores reais) sem a presença da figura humana. Completamente inspirado na animação, o filme trás um impecável preparo técnico de movimentos aos personagens vivos em interação com o ambiente. As mais diversas espécies animais são retratadas com muita fidelidade ao filme original e com o realismo que o estilo pede. Esse feito fornece ao telespectador a sensação de não se deparar com uma nova animação.

O grande desafio desse live action é demonstrar pelos bichinhos reais todas as emoções que, naturalmente, identificamos com a presença humana. E é aqui que mora o perigo iminente do longa-metragem.

A tecnologia não é suficiente para alterar a biologia a ponto de desenvolver expressões tão significativas para os animais retratados na história. Tal fator, inclusive, poderia afastar o objetivo de transformar a animação em verdadeira realidade. Essa dificuldade traz também o perigo de transformar algo tão carismático como a animação em algo totalmente frio.

De modo diferente, as semelhanças que existem entre os filmes no que diz respeito às cenas que remetem diretamente ao primeiro filme emociona o público e traz um sentimento de nostalgia àquela sala de cinema composta por 250 pessoas com mais de 20 anos assistindo um

Toy Story 4 (Alerta Spoiler)

By |2019-07-31T10:11:48-03:00julho 31st, 2019|Categories: Cultura|Tags: , , , , , , |

“Se a fase é ruim, não se esqueça do que ouviu de mim: amigo, estou aqui!”

Depois de 9 anos que nos debulhamos em lágrimas com o final de Toy Story 3 e de estarmos conformados com o final da trajetória de Andy e seus brinquedos, é a vez de nos afogarmos com o início da história de Bonnie junto de seus brinquedos (alguns, os mesmos de Andy, como pudemos observar no último filme lançado).

Muitos ficaram estressados com a continuação proposta por Toy Story 4, e eu fui uma dessas pessoas. Mas, agora, parando para pensar, Toy Story significa História de Brinquedo e não A História de Andy com seus brinquedos. Com isso, temos as perspectivas que o brinquedo não é de apenas uma criança, ele perpassa por muitas crianças. Como diríamos no Direito, a função social do brinquedo deve ser exercida. Ou seja, os brinquedos continuaram a ser brinquedos e amados por uma criança.

Essa questão é de suma importância para Woody, um dos protagonistas da saga. No primeiro filme, é ele quem trabalha para convencer o parceiro e novato Buzz de que o mesmo não é um patrulheiro espacial e sim um brinquedo que deve exercer a função de um brinquedo.

No segundo filme, Mineiro tenta convencer os demais parceiros da “Turma do Woody” (Bala-no-Alvo, Woody e Jessie) de que eles deveriam deixar de ser apenas brinquedos e passar a ser um ponto turístico no Japão, admirados através de uma vitrine, com a

Livro: Errando na Mosca, Juliana Araripe

By |2019-03-14T11:22:57-03:00março 22nd, 2019|Categories: Cultura|Tags: , , , |

Depois de uma longa e bonita carreira nos palcos e na televisão, a atriz Juliana Araripe decidiu por alcançar novos ares e estreia como autora no seu livro que não consegui definir entre crônicas, textos diversos ou textões do facebook que teriam muitos alcances.

A verdade é que é um livro dinâmico e espontâneo assim como Juliana (que carinhosamente chamo de Ju desde os tempos que ela interpretou Chica na novela Em Família nos capítulos iniciais).

Virei fã da Ju, a acompanhei nos teatros da vida ao lado de Camila Raffanti, sua amiga irmã, e criei grande admiração por elas que conquistaram o meu coração. Tenho a honra de acompanhar a Ju nesse novo momento da vida dela que considero de muita importância.

Falando sobre o livro, como disse, há uma incógnita na sua classificação. Quem tem Ju nas redes sociais sabe que cada um daqueles textos poderiam caber em sua linha do tempo do Facebook.

No livro, temos uma Ju gente como a gente. Que é responsável, mas também se atrapalha. Que ama, que é amada, que sofre desilusões. Uma Ju que é mãe de gente, mãe de bicho, dona de casa, atriz, roteirista, produtora e etc. etc. etc. Temos o retrato da mulher contemporânea.

Mas, ao mesmo tempo que Ju nos mostra que é possível e que a gente tem que se aceitar como somos, há alguns pontos negativos na obra. Em textos pontuais, e frases mais pontuais ainda, conseguimos perceber a visão de que o corpo fora do padrão não é um

Filme: Minha Vida em Marte

By |2019-03-11T09:08:48-03:00março 11th, 2019|Categories: Cultura|Tags: , , , , , , , , |

Depois do grande sucesso “Os Homens São de Marte… e é pra lá que eu vou”, Mônica Martelli emplaca mais um gol de placa com “Minha Vida em Marte”, agora com direção de Susana Garcia. Eu, como uma boa amante de ABSOLUTAMENTE TUDO que a Mônica Martelli produz, fui assistir a esse majestoso filme no cinema duas vezes.

“Os Homens São de Marte… e é pra lá que eu vou” foi um sucesso não só nas telonas do cinema, mas também nos palcos e continua sendo um sucesso na televisão com série de mesmo nome exibida pela GNT que já caminha para sua quarta temporada.

Devido a essa grande audiência, Mônica resolveu contar a continuação da história da protagonista Fernanda, vivida pela atriz (que também é a roteirista da história). Na primeira parte da história, temos a saga de Fernanda pelo marido ideal. No segundo filme, temos uma Fernanda e o casamento com Tom (Marcos Palmeira) em crise e uma filha pequena.

O grande diferencial é que no segundo filme a história não se baseia na busca de Fernanda por um novo amor ou novas aventuras (obviamente isso é um dos cenários, mas não podemos caracterizar como a base do filme). O filme reflete a relação de amizade entre Fernanda (Mônica) e Anibal (Paulo Gustavo), com mais ênfase na reta final do filme, e assim como o anterior, também é uma adaptação dos palcos.

O foco da protagonista agora é entender o porquê, à crença dela, ela falhou na missão de construir a família

Para Sempre Bibi

By |2019-02-26T09:01:34-03:00fevereiro 26th, 2019|Categories: Cultura|Tags: , , |

Em um início de ano trágico, o teatro não deixou de ser atingido por essa onda de má sorte que assombra o Brasil nesse momento.

Foi-se Bibi Ferreira, dia 13 de fevereiro. Foi-se Bibi, de forma natural, porém dolorosa. O Brasil perde mais um talento e um exemplo. Bibi deveria ser considerada patrimônio cultural do nosso País e ser guardado como o bem mais precioso de origem brasileira.

Nascida Abigail Izquierdo Ferreira, Bibi, era filha de um dos maiores nomes do Teatro Brasileiro, o também ator Procópio Ferreira, e da bailarina Aída Izquierdo. Isso fez que Bibi nascesse no palco e estreou no teatro com 20 dias de vida em “Manhã de Sol”.

Mas a vida de Bibi não foi exclusivamente do teatro como conhecemos, era uma atriz multimídia: passou pelo cinema, por programas de TV, pela música e pelo mercado de shows. Porém, em momento algum, deixou sua verdadeira paixão de lado: o teatro e o público.

Dentre os trabalhos de Bibi temos o dever de destacar Gota d’Agua, peça escrita por Chico Buarque durante os Anos de Chumbo e protagonizado por Bibi. A beleza e intensidade do texto fez com que Bibi se afastasse de sua carreira nos palcos por longos oito anos até que foi contagiada pela obra que contava a história da cantora francesa Edith Piaf, encenado no Brasil e em Portugal.

Além disso, foi Bibi que inaugurou a TV Excelsior com o programa de TV “Brasil 60” e trazia aos olhos da televisão os grandes nomes do teatro.

Mas foi com

Ângela Maria: dos Rádios para o Mundo

By |2018-10-23T10:03:54-03:00outubro 27th, 2018|Categories: Cultura|Tags: , , |

Mais uma perda inenarrável para o mundo da música. Ângela Maria se foi e deixa eternizado para nós o legado do seu trabalho, da sua música e a sua voz.

Com 89 anos e mais de 70 anos de carreira, Ângela é um bom exemplo daquilo que podemos chamar de “grande cantora” que, apesar de ter mais afinidade com o canto lírico, a intérprete garantiu seu espaço na música popular brasileira, nos sambas-canções, boleros, toadas e sambas stricto sensus, o que possibilitou ser considerada por muitos como “A Cantora do Povo”, sendo eleita em 1984 a Rainha do Rádio (não era para menos).

Sua carreira transpassou os rádios da década de 1950 e chegou à televisão, desde o ínicio desse que era, até então, a maior novidade no mundo midiático. Além disso, foi presença marcante no cinema. Isso fez com que ela se torna-se um grande ídolo do povo e, consequentemente, menosprezada pela crítica “intérprete de uma safra de compositores de segundo time”.

Confesso que pouco acompanhei as músicas cantadas por Ângela, assim como não li todos os livros de Jorge Amado (dois no máximo). Mas não podemos deixar de reconhecer a importância de uma artista como Ângela apenas pelo motivo de ~ não acompanharmos ~.

Todavia, confesso também que a versão de “Nem Eu”, composta por Dorival Caymmi, cantada por Ângela me faz mais feliz do que quando cantada pelo próprio compositor.

Apesar de uma grande voz, sofreu como as demais cantoras de rádio com o surgimento da Bossa Nova, Jovem Guarda e tropicalismo,

XVII Grande Prêmio do Cinema Brasileiro

By |2018-10-23T09:23:44-03:00outubro 23rd, 2018|Categories: Cultura|Tags: |

Antes de mais nada, ou antes de tudo, esse post é para agradecer pela existência desse prêmio e os demais prêmios direcionados ao cinema brasileiro. Já que mundo afora são poucos os que nos valorizam, a gente mesmo se valoriza (só falta o grande público se engajar mais).

Dia 18 de setembro de 2018 aconteceu o XVII Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, organizado pela Acadêmia Brasileira de Cinema (ABC).

Inicialmente foi apresentado por Charles Fricks e Laila Garin (Os apresentadores do Prêmio) de forma teatral como uma homenagem ao cineasta Nelson Pereira dos Santos. Além disso, Laila foi acompanhada da Banda “A Roda” na execução da trilha sonora escolhida para acompanhar a encenação.

Antes do início da premiação propriamente dita, Jorge Peregrino, atual presidente da ABC, prestou uma homenagem ao ex-presidente da Academia e cineasta Roberto Farias, falecido em maio deste ano. Junto à homenagem foi transmitido o filme “Assalto ao Trem Pagador” de 1962 e dirigido por Farias.

O filme “Bingo: o rei das manhãs” teve o maior número de indicações e de prêmios recebidos, incluindo melhor ator e melhor filme.

A grande homenageada da noite foi Fernanda Montenegro. A emoção tomou conta de todos no momento do reencontro de Fernanda com o ator Vinícius de Oliveira, com quem contracenou no filme “Central do Brasil” em 1998 e a garantiu a indicação para o Oscar (não trazendo-o para o Brasil como exemplo da maior injustiça internacionais que o nosso país já sofreu).

Antes de encerrar e divulgar os vencedores, parabenizo a direção do evento que

Crítica: O Nome da Morte (com spoiller como sempre)

By |2018-09-14T15:17:26-03:00setembro 14th, 2018|Categories: Cultura|Tags: , |

O filme, que é estrelado por Marco Pigossi e Fabiula Nascimento, conta a história de um assassino de aluguel, Júlio Santana, e é baseado em uma história real. Na trama, Júlio se demonstra em completo desgosto para com a borracharia da família, o que o faz ser convencido pelo seu tio, Cícero (André Mattos), admirado com a sua pontaria, para mudar-se para a capital do estado de Tocantins, onde trabalharia como policial.

Lá chegando descobre a verdadeira intenção do tio: colocar o garoto como matador de aluguel. Inicialmente o ainda jovem protagonista se mantém resistente à profissão, até perceber que disso teria riqueza.

Como 150% dos filmes, ele gira em torno de uma história de amor. Maria (Fabiula Nascimento) é uma mulher mais velha que o protagonista e ambos se apaixonam e resolvem por constituir casamento e família. Ela, iludida pela profissão de fachada do marido, vive com considerável conforto, apesar de humilde.

Certa vez Júlio falha na execução de um crime e acaba preso, quando é descoberto e abandonado pela esposa. Depois de algum tempo ele e Maria retomam a relação e acordam em viver honestamente e juntos. Passam a viver miseravelmente tendo que escolher entre a carne e o pão, até que o galã recebe proposta para voltar à vida de assassino de aluguel, matando quem fosse sem julgamento de mérito. Ambos aceitam e começam a viver uma vida abastada até o filho do casal ser assassinado. Voltam a miséria e, aparentemente, inicia um ciclo de miséria-riqueza.

Bem, a moral do filme

Post Extraordinário para uma atriz extraordinária: Beatriz Segall

By |2018-09-11T17:15:00-03:00setembro 11th, 2018|Categories: Cultura|Tags: , , |

Este post é extraordinário não no sentido de magnífico.

Faleceu a nossa Segall. Muitos acham que Beatriz Segall não é brasileira. “Ela é boa demais pra isso”. Mas sim, Segall é brasileiríssima, carioquíssima. Nascida no Leblon de Manoel Carlos, poderia se chamar Helena, mas seu nome era Beatriz de Toledo.

Tendo seu ofício mascarado pelo conservadorismo da década de 40, formou-se professora e passou a lecionar em uma escola municipal em Santa Cruz, Rio de Janeiro. Talvez nem tão mascarado assim, afinal continuou investindo em si mesma como atriz. O investimento rendeu frutos e a lindíssima foi à Paris fazer usufruto da sua bolsa para estudar Teatro na Cidade Luz, contrariando a vontade do pai.

Em 1954 firmou matrimônio com Maurício Segall, um judeu filho do pintor Lasar Segall, passando a morar em São Paulo, na mesma casa onde viveu até a manhã do dia 5 de setembro de 2018. Mãe de três filhos, deu uma pausa na carreira de atriz e se dedicou totalmente à maternidade e foi obrigada a retornar ao Rio quando o marido foi preso durante a Ditadura Militar.

Beatriz, agora já Segall, teve uma longa carreira antes de cair no carinho do público. Apesar de ser amplamente conhecida e comentada como a vilãzona, a maior de todas, a minha favorita, Odete Roitman, a personagem não foi a primeira da atriz, nem se quer a primeira na Rede Globo.

A estreia na emissora veio em 1978, na novela Dancin’ Days de Gilberto Braga interpretando Celina. Posteriormente, em Pai Heroi, de Janete

Não nos resta nada e o que nos resta é tudo: Adeus, Museu Nacional

By |2018-09-06T18:03:07-03:00setembro 6th, 2018|Categories: Cultura|Tags: , , |

O sentimento que eu tive na madrugada do dia 2 de setembro para o dia 3 foi tristeza. Enquanto eu estava concentrada nos artigos de Direito Desportivo, Comercial e Tributário, o pior aconteceu. Foi numa pausa para uma água e uma checada no WhatsApp que surgiu bem na minha frente o fogo no Museu Nacional.
Em um primeiro momento eu pensei em nada, só consegui ficar em choque. Em segundo momento eu segui sem conseguir pensar em nada, só consiguia estar em choque. Em choque com o tudo que perdemos, em choque com o descaso com a nossa história, com a nossa gente, como o nosso povo.

“MATARAM A LUZIA DE VEZ!”

Não vou aqui delimitar culpados por essa lástima ocorrida, não vou dar uma listagem de coisas e pessoas que deveriam ter evitado isso. SIM! EVITADO. Até porque não adianta culpar apenas as autoridades se nós mesmos, cidadãos comuns, não valorizamos a nossa história. Prova disso é a famosa frase “quem vive de passado é Museu” usada de forma pejorativa.
Vim falar do sentimento que fica no coração de uma pessoa que ama história, ama a história brasileira, ama museus, que estuda, que gosta de pesquisa e produção de conhecimento: o sentimento que fica no meu coração.
Fui no Museu Nacional uma única vez, na época que eu ainda não tinha muitos amigos no Rio. Eu estava sozinha. sozinha não, com 20 milhões de itens que contavam a nossa história.
O primeiro e o mais velho de tudo que o Brasil tem estava lá. Estava.