Mais uma perda inenarrável para o mundo da música. Ângela Maria se foi e deixa eternizado para nós o legado do seu trabalho, da sua música e a sua voz.

Com 89 anos e mais de 70 anos de carreira, Ângela é um bom exemplo daquilo que podemos chamar de “grande cantora” que, apesar de ter mais afinidade com o canto lírico, a intérprete garantiu seu espaço na música popular brasileira, nos sambas-canções, boleros, toadas e sambas stricto sensus, o que possibilitou ser considerada por muitos como “A Cantora do Povo”, sendo eleita em 1984 a Rainha do Rádio (não era para menos).

Sua carreira transpassou os rádios da década de 1950 e chegou à televisão, desde o ínicio desse que era, até então, a maior novidade no mundo midiático. Além disso, foi presença marcante no cinema. Isso fez com que ela se torna-se um grande ídolo do povo e, consequentemente, menosprezada pela crítica “intérprete de uma safra de compositores de segundo time”.

Confesso que pouco acompanhei as músicas cantadas por Ângela, assim como não li todos os livros de Jorge Amado (dois no máximo). Mas não podemos deixar de reconhecer a importância de uma artista como Ângela apenas pelo motivo de ~ não acompanharmos ~.

Todavia, confesso também que a versão de “Nem Eu”, composta por Dorival Caymmi, cantada por Ângela me faz mais feliz do que quando cantada pelo próprio compositor.

Apesar de uma grande voz, sofreu como as demais cantoras de rádio com o surgimento da Bossa Nova, Jovem Guarda e tropicalismo, consideradas novas estéticas musicais dos anos de 1960-80. Todavia, não se deixou abater e tem gravações lindíssimas como é o caso de “Gente Humilde”.

O que mais eu posso dizer sobre Ângela Maria? Se Elis Regina se declarava fã dela, eu não preciso dizer mais nada.

Descanse, Ângela, você se eternizou.