Mais um filme brasileiro explodindo nas telas do cinema! Amém! Salve o Cinema BR! Dessa vez Ingrid Guimarães (do sucesso “De Pernas para o Ar”) e Larissa Manoela (de “Meus 15 anos”), ícones de suas gerações, foram unidas pela direção de Pedro Vasconcelos (“Dona Flor e Seus Dois Maridos”) e trouxeram ao cinema um clássico da obra infanto-juvenil brasileira, “Fala Sério, Mãe!”, de Thalita Rebouças.

Eu sou absolutamente incapaz de descrever a minha felicidade ao ver uma obra de Rebouças ganhando uma versão audiovisual. Eu, com meus 20 anos, tive Thalita como nome favorito na minha estante de livro por anos e anos! Eu li (quase) todos. Eu me identificava com todos! Parecia que em cada livro eu estava dentro. Meu primeiro livro dela foi “Tudo por um pop-star” (curiosamente também foi o primeiro livro dela escrito para o público adolescente), transformado em musical em 2012 – tive a honra e o prazer de assistir – e está prestes a estrear no cinema. Eu me identifiquei muito nesse livro pois conta a história de três amigas que fazem de tudo para conseguir um momento ao lado dos ídolos – a banda Slavabody Disco Disco Boys”. Como não é segredo para ninguém eu também faço de tudo para ter um momento ao lado dos meus ídolos.

Enfim, fui crescendo e deixando a leitura de Rebouças de lado. Mas, certamente, ocupa um espaço bem importante da minha vida como leitora. Digamos, fez a minha base junto com Cervantes (do meu amado e idolatrado “Dom Quixote”). Foi com eles que me apaixonei pelos livros.

Agora ao filme.

Como disse no meu primeiro post, sou paulistana, há dois anos moro no Rio de Janeiro e a mudança ocorreu por causa do meu ingresso no curso de direito na Faculdade Nacional de Direito (UFRJ). Já passaram-se duas férias de verão comigo voltando ao lar. Em 2016/2017 fui com minha mãe assistir “Minha Mãe é uma Peça 2” – Paulo Gustavo – e chorar com a história que tanto se mesclava com a nossa.

Já em 2017/2018 fui, novamente com mamãe, assistir ao “Fala Sério, Mãe!” – e chorei com a história que tanto se mesclava com a nossa.

O filme conta a história de Ângela Cristina (Ingrid Guimarães) e Maria de Lourdes – Malu –  (Larissa Manoela), a mãe e filha em questão. A trama se desenrola mostrando as fases dessa relação, desde a gravidez até a independência da filha indo morar fora do Brasil.

A história é dividida em duas partes. A primeira narrada pela mãe e a segunda pela filha. Ângela é uma típica mãe, repleta dos clichês da maternidade, neuras, medos e culpas. Ingrid, que também é roteirista do filme, tem espaço para mostrar novamente todo o seu potencial e versatilidade. A atriz e humorista trás ao seu currículo uma personagem praticamente inédita: agridoce, dramática e carente. A construção da personagem é sem dúvida muito parecida com a Dona Hermínia de Paulo Gustavo: caricata e afetiva, suas atitudes arrancam riso rápido do público por causar imediata identificação.

Cabe aqui a observação de que a conversa entre os dois filmes é tamanha que Paulo Gustavo faz uma participação especial e o público logo nota o encontro das mamães.

A segunda parte revela o protagonismo de Larissa Manoela, a filha, que no primeiro momento é coadjuvante. É nesse momento que Malu começa a contar a sua relação com a mãe a partir dos seus olhos e torna-se o momento de identificação dos filhos que estão na sala do cinema. Podemos observar a passagem da criança para a maturidade da vida adulta. Mãe e filha tornam-se melhores amigas, apesar dos raios e trovões que existem na relação.

Além disso, traz Ana Vilela, Tiago Iorc, Fabio Junior e o funk carioca para a trilha sonora, o que permite que o filme caia no gosto de diversas gerações. O filme conta com a participação especial de Thalita Rebouças e Camila Lucciola.

Mais um filme que mamãe e eu fomos assistir rindo e saímos da sala chorando – por que todo filme que a gente assiste no final o filho sai de casa para ir estudar em outra cidade/estado/país?

ASSISTAM! SÓ ASSISTAM! É um filme para todas as idades! Pegue a sua mãe, ou pegue a sua filha e vá ao cinema! Você vai ver um filme de qualidade, prestigiar e dar aquela moral para o cinema brasileiro.

ps.: Te amo, mãe!