Depois do grande sucesso “Os Homens São de Marte… e é pra lá que eu vou”, Mônica Martelli emplaca mais um gol de placa com “Minha Vida em Marte”, agora com direção de Susana Garcia. Eu, como uma boa amante de ABSOLUTAMENTE TUDO que a Mônica Martelli produz, fui assistir a esse majestoso filme no cinema duas vezes.

“Os Homens São de Marte… e é pra lá que eu vou” foi um sucesso não só nas telonas do cinema, mas também nos palcos e continua sendo um sucesso na televisão com série de mesmo nome exibida pela GNT que já caminha para sua quarta temporada.

Devido a essa grande audiência, Mônica resolveu contar a continuação da história da protagonista Fernanda, vivida pela atriz (que também é a roteirista da história). Na primeira parte da história, temos a saga de Fernanda pelo marido ideal. No segundo filme, temos uma Fernanda e o casamento com Tom (Marcos Palmeira) em crise e uma filha pequena.

O grande diferencial é que no segundo filme a história não se baseia na busca de Fernanda por um novo amor ou novas aventuras (obviamente isso é um dos cenários, mas não podemos caracterizar como a base do filme). O filme reflete a relação de amizade entre Fernanda (Mônica) e Anibal (Paulo Gustavo), com mais ênfase na reta final do filme, e assim como o anterior, também é uma adaptação dos palcos.

O foco da protagonista agora é entender o porquê, à crença dela, ela falhou na missão de construir a família perfeita, na busca de se sentir atraente de novo, e quem sabe viver uma nova paixão. É exatamente nessa questão que ela tem a companhia de seu amigo, parceiro de trabalho e fiel escudeiro, Anibal.

O dinamismo do filme e a rápida passagem de fases que Fernanda enfrenta após o término do casamento não interferem na qualidade do filme escrito por Mônica Martelli, Paulo Gustavo e Susana Garcia.

Apesar do filme trazer pouco peso dramático ao término da separação, devemos considerar que se trata de uma comédia da vida cotidiana de uma mulher de meia-idade em busca de restabelecer a sua vida após o impacto da separação, e que temos somente uma hora e meia de filme.

O ponto fraco do filme, todavia, é que em momento algum a protagonista busca pelo amor próprio. Fernanda busca, de forma compreensiva, superar o luto da separação fazendo compras em Nova York ao lado de Aníbal e buscando, incansavelmente, novos homens para a sua vida. A questão do resgate do amor próprio da mulher de meia-idade ficou de lado de forma extrema.

A percepção tardia da forte importância da relação de amizade pode ser explicada pela demora de Fernanda de se entender como uma mulher divorciada em plenitude, e não mais preocupada em distrair o seu momento pós-separação.

Apesar dos detalhes, o saldo é positivo e Mônica emplacou mais um sucesso nas telonas, e muito disso é devido ao carisma e sincronismo entre os protagonistas (Mônica e Paulo Gustavo).