Este post é extraordinário não no sentido de magnífico.

Faleceu a nossa Segall. Muitos acham que Beatriz Segall não é brasileira. “Ela é boa demais pra isso”. Mas sim, Segall é brasileiríssima, carioquíssima. Nascida no Leblon de Manoel Carlos, poderia se chamar Helena, mas seu nome era Beatriz de Toledo.

Tendo seu ofício mascarado pelo conservadorismo da década de 40, formou-se professora e passou a lecionar em uma escola municipal em Santa Cruz, Rio de Janeiro. Talvez nem tão mascarado assim, afinal continuou investindo em si mesma como atriz. O investimento rendeu frutos e a lindíssima foi à Paris fazer usufruto da sua bolsa para estudar Teatro na Cidade Luz, contrariando a vontade do pai.

Em 1954 firmou matrimônio com Maurício Segall, um judeu filho do pintor Lasar Segall, passando a morar em São Paulo, na mesma casa onde viveu até a manhã do dia 5 de setembro de 2018. Mãe de três filhos, deu uma pausa na carreira de atriz e se dedicou totalmente à maternidade e foi obrigada a retornar ao Rio quando o marido foi preso durante a Ditadura Militar.

Beatriz, agora já Segall, teve uma longa carreira antes de cair no carinho do público. Apesar de ser amplamente conhecida e comentada como a vilãzona, a maior de todas, a minha favorita, Odete Roitman, a personagem não foi a primeira da atriz, nem se quer a primeira na Rede Globo.

A estreia na emissora veio em 1978, na novela Dancin’ Days de Gilberto Braga interpretando Celina. Posteriormente, em Pai Heroi, de Janete Clair, viveu Norah. Mas foi novamente com Gilberto Braga e na estreia de Manoel Carlos no horário nobre, em Água Viva que a atriz ganhou o gosto do público ao interpretar a vilã Lourdes Mesquita. Uma parceria impecável com grandes atores como Tônia Carrero, Reginaldo Faria, Raul Cortez, Cláudio Cavalcanti e Natália do Vale.

Na novela, Lourdes era mãe de dois jovens, Márcia (Natália) e Marcos (Fábio Jr.). Ambos viviam em conformidade com os gostos da mãe, moradora do Leblon porém falida e vivendo de aparências, inclusive tratando mal quem pudesse atingir o seu ego. Lourdes fazia de tudo para não deixar de ter sua foto na coluna social e seu nome nas rodas da classe alta carioca. Porém, os filhos passam a viver suas próprias vidas de modo independente ao da mãe e ela se viu sozinha devido suas próprias atitudes. EU AMO A COMPLEXIDADE DESSA PERSONAGEM E EU AMO ESSA NOVELA!

Apesar disso, Odete Roitman realmente foi realmente o que marcou. Não tem o que falar de Odete. Só ficou firmada mais a frase: Segall quando é boa é boa, quando é ruim é melhor ainda! Prova disso que sucedeu Marília Pera e antecedeu Joana Fomm no prêmio Troféu Imprensa – Melhor Atriz.

Entre tantos, a última personagem da atriz na TV foi na série “Os Experientes – Episódio: O Assalto”. O público chegou a comemorar a volta da atriz, mas acabou sendo a última vez que os telespectadores tiveram o prazer de vê-la na televisão.

A atriz se despediu, informalmente, da arte cênica nos palcos em 2015 com “Nine – O Musical”. Informal porque nem nós e nem ela sabíamos que seria sua última vez!

Gratidão à ti, Beatriz Segall, que tanto fez por nós e pela arte. Descanse!