Professora Ms. Ana Elizabeth Simões, gaúcha, 65 anos, Docente em cursos de Design de Moda, Moda, Jornalismo, Publicidade e Administração em Marketing em Santa Catarina. Apaixonada por minha profissão, na área privada e docência.

Sou professora e especialista em Jornalismo de Moda. Mestre em Engenharia da Produção com ênfase em Produtividade empresarial e Marketing. Desde 1991, ministro aulas em cursos universitários de Moda e Jornalismo em Santa Catarina, onde resido. Mas esta é uma breve apresentação, o que interessa, nesta linda trajetória que tanto me fascinou, é o meu primeiro contato com a Moda Inclusiva, através de disciplina que ministrei – esta na Associação Luterana Bom Jesus Ielusc de Joinville (SC) – como professora pesquisadora da disciplina e pesquisadora voluntária na área de Moda; visto que é disciplina opcional nos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda.

Moda Inclusiva ainda é um assunto pouco pesquisado e com raras introduções como disciplina fixa no desenho curricular das universidades. Para ilustrar esse contexto, nada melhor do que torná-lo prático e experiencial com uma de minhas alunas, cadeirante, portadora de paralisia cerebral e com alguns problemas neurológicos de fala e coordenação motora. Andréia, a minha Deinha atriz (Andréia da Silva, 36 anos), formada ano passado em Jornalismo pela instituição citada e literalmente apaixonada por Moda e Moda Inclusiva. Como temos aqui no estado o maior evento do Sul em Moda Inclusiva, na sua edição em Florianópolis um dos seus sonhos, era assistir/ desfilar no evento. Embora ela ainda não tenha conseguido, sei que muito em breve a verei lá. Sempre que posso estou na plateia aplaudindo entusiasmadamente.

Persistência, arrojo e resiliência é com ela. Admirável! Uma das melhores alunas que tive na disciplina, nunca esmoreceu em sua luta e nem de sua paixão. Nesta matéria, que aconteceu durante 4 anos, era uma das poucas – por ser opcional – que excedia o número total de alunos, 25. Turmas lotadas, e na primeira fila lá estavam aqueles olhinhos fascinados em sua cadeira de rodas. Andréia não é mulher de desistir, nunca. Tinha que ter com ela provas especiais, orais ou via sistema voicer, pois ela digitava com extrema dificuldade e era seu pleno direito ter avaliação em separado, já que demandava um tempo maior. Mas mesmo com problemas de expressão verbal – dicção, ela sempre correspondia. Além disso, sempre vaidosa, Deinha variava looks e desfilava pelos corredores com sua cadeira.

Em nossas aulas, fizemos documentários sobre Moda em Geral, criamos página nas redes sociais, no caso específico de Jornalismo de Moda – mais atuante em época de disciplina efetuada, chegamos a produzir um blog chamado Connect Cult, agora inativo. Além disso, oferecemos palestrantes na área de Moda Inclusiva e viagens às revistas de Moda. Em 2014 lotamos o escritório da revista Glamour (versão impressa e web). Lá fomos extremamente bem recebidos pela diretora do ano citado, Mônica Salgado.

Nosso primeiro obstáculo foi enfrentar o primeiro evento fora, onde não existiam rampas de acesso para cadeirantes. E adivinhem o tema do seu projeto experimental e monografia de conclusão de curso? Moda Inclusiva – Estilo sobre Rodas. Não podia ser outro tema. Como hoje sou professora de Pós-Graduação, não consegui orientá-la e nem assistir sua defesa, orientada então pela Dra. em Literatura e minha colega, Marília Crispi de Moraes. Andréia provara para todos, instituição, para ela mesma e para seus professores, do que era capaz. Sempre foi e sempre será. Um exemplo para todos os colegas de curso, Andréia é multifacetada: atriz inclusiva, fez dança, foi repórter eventual de rádios e TV, jornalista e, acima de tudo, a “minha mulher maravilha sobre rodas!”. Está é a primeira de muitas outras reportagens aqui no Rosa Valente sobre a difícil, mas fascinante história teórica contextual e experimental da Moda Inclusiva, tão carente de abordagens no campo da inclusão e do próprio Jornalismo e sua especificidade, o Jornalismo de Moda.