14 anos foi o tempo de espera que os fãs do Beto Pêra tiveram que esperar para ter uma continuação da história. Claramente não só fãs do Beto, mas da Família Pêra toda. Não é à toa que depois de 5 dias da estreia brasileira de “Os Incríveis 2” a sessão que eu acompanhei estava repleto de (jovens) adultos ansiosos para ver o que ia acontecer com nossos super-heróis depois de serem declarados ilegais. Essas pessoas tinham por volta de seus 10 anos quando assistiram ao primeiro longa-metragem da sequência.

Eu mesma tinha… sete anos! Isso mesmo. SETE ANOS. Em uma conta rápida (não necessariamente fácil) hoje tenho 21 anos. 14 anos é muita espera. Até a ex-criança mais paciente do mundo estava ansiosa. A paixão é tão grande que eu fiz o aniversário de 1 ano do meu irmão caçula ser dos Incríveis – 2013 – (ele era igualzinho o Zezé, seria até hoje, caso o Zezé não continuasse um bebê e ele crescido como toda criança).

Enfim, passados os 14 anos (sei que estou repetindo muito esse número, mas é para deixar bem marcado que foram 14 anos), chegou às telonas dos cinemas o tão esperado “Os Incríveis 2” e existem poucas sequências de filmes que são bons em todos os seus números (“Toy Story” é o maior exemplo que temos disso). Os Incríveis 2 não deixou nada a dever diante do primeiro filme.

A atenção é prendida do começo ao fim. O filme se inicia com a aparente decadência dos heróis após serem considerados ilegais ao redor do mundo. A Família Pêra participava de um programa com o intuito de ajudar os super-heróis em decadência.

A história então gira em torno de um vilão e dos super-heróis tentando mostrar que eles são essenciais para a vida na Terra. Eu vou tentar não encher de spoiler este post porque eu quero que todo mundo vá assistir ao filme. Esse vilão sofreu um grande trauma no passado que julga ser culpa dos heróis. Basicamente é isso que conta a história. Basicamente, mas nada de básico. Lembrando que Helena e Beto tentam ao máximo impedir que os filhos exerçam seus poderes por N motivos que não serão abordados aqui.

O personagem escolhido para ajudar a trazer os heróis de volta não é um herói, mas uma heroína. É justamente a matriarca da família, a nossa Helena (quem disse que Helena só é protagonista em novela de Manoel Carlos??). O Beto se assusta com a escolha e chega a subestimar a capacidade da esposa para com esta finalidade. Juntos eles decidem que ela irá salvar o mundo e ele: cuidar da casa (coisa que ele subestima também). E pelo o que parece ela tem muito mais facilidade na sua missão do que ele.

Isso traz um ponto muito importante para o cinema – principalmente o infantil – no momento em que coloca a mulher em posição de destaque e liderança em um local considerado masculino. Representatividade é tudo nessa vida. Uma garotinha que vê que uma mulher poder ser o que ela quiser – inclusive a maior heroína de todos os tempos – é essencial.

Eu vou destacar só alguns pontos da história aqui, para não colocar muita coisa do filme. Outro ponto muito importante é mostrar para as famílias o quão importante é fazer as crianças se sentirem parte da família (eu não posso contar muito sobre essa questão porque é o climax do filme). Isso não só perante uma família de heróis que tenta salvar a Terra, mas em qualquer família. Muitas vezes as crianças não são ouvidas e são colocadas como total subordinada. Claro que existe uma certa hierarquia familiar, mas a criança é especial, ela tem que, acima de tudo, se sentir parte daquela família. E é isso que Violeta, Flecha e Zezé provam para os seus pais: eles são crianças, mas são essenciais. Esses são os dois recados que eu acho mais “incríveis” que esse filme poderia passar. Agora eu vou entrar nos bastidores.

Em primeiro lugar: EVARISTO COSTA DUBLA UM JORNALISTA!!!!!!! Eu estava morrendo de saudade de ouvir o “boa tarde” do Evaristo. Apesar de eu ser conhecidamente contra não-atores exercerem funções de atores, não tinha uma pessoa melhor que pudesse dublar um jornalista que não Evaristo.

Raul Gil. TEM O RAUL GIL! Ainda tiveram coragem de colocar as famosas frases “pra quem você tira o chapéu” e “pego o meu banquinho e saio de mansinho”. Isso foi genial! Certamente todas as pessoas que estavam naquele cinema assistiam o Programa do Raul Gil na casa da vó aos domingos e ouvia essa frase. COM TODA A CERTEZA.

Flávia Alessandra e Otaviano Costa dublam um casal. Um casal de irmãos, mas um casal. Outro ponto destacável. O tom de deboche que Flávia deu à personagem foi incrível.

ALÉM DE QUE O PERSONAGEM DO OTAVIANO COSTA FALA COM UM OTAVIANO AO TELEFONE. Sim, minha cabeça explodiu nesse momento.

Eu queria falar sobre o curta-metragem que passa antes do início do filme, mas serei obrigada a fazer um post só para ele mesmo.

Foram 14 anos de espera, mas valeu a pena!