A palavra GESTALT é um termo do idioma alemão que não possui um referente exato na língua portuguesa e é mantido inalterado, nomeando a abordagem. Dentre as tentativas de tradução, a mais utilizada é “forma”. Esta traz em si a concepção de um todo, formado das partes que se inter-relacionam. Sempre que uma parte é tocada, o todo se modifica, sendo esse um método contínuo em qualquer situação da vida. Gestalt terapia é uma maneira de ver o homem e o mundo sempre em desenvolvimento e em movimento. Este processo é a busca saudável por configurar formas capazes de abarcar as experiências na vida, possibilitando que cada pessoa possa reconhecer a si mesma em sua trajetória, no tempo e no espaço. Ou seja, no momento da situação em curso, também conhecida como aqui e agora. A Gestalt Terapia busca possibilitar a compreensão do processo singular de cada pessoa, identificando os aspectos sensoriais, ações e os significados das experiências que ocorrem no campo, dando forma a pessoa e meio que estão em contato no presente em curso (essa técnica de contato é denominada Self).

A Gestalt Terapia reconhece uma forma de contato como saudável ou criativo. Há também outra forma que é denominada interrompida ou disfuncional. Quando o contato é fluido, ou seja, quando a pessoa e meio estão continuamente em assimilação e crescimento, o contato criativo está em curso no campo. Quando ao contrário, existem interrupções que seguem numa repetição continuada. Temos então estabelecidos o que é disfuncional ou não saudável. Na Psicoterapia, cada forma de interrupção solicita intervenções específicas, observando as possibilidades e limites de cada pessoa e de cada situação. Tornando vívida a experiência imediata, o trabalho psicoterapêutico procura disponibilizar a retomada da fluidez ora interrompida, buscando que a pessoa possa ser protagonista das escolhas possíveis em sua vida e não mera expectadora de uma inexorável sucessão de causalidades no decorrer de sua existência.

 

Como surgiu a Gestalt Terapia?

Frederick Salomon Perls (1893-1970), conhecido como Fritz Persl, é considerado o fundador da Gestalt Terapia. Desde 1936, em um movimento de dissidência com a psicanálise freudiana, insatisfeito com as proposições adotadas até então no método clínico psicanalítico, rumou em direção ao desenvolvimento de um projeto terapêutico que, em 1951, passaria a denominar-se Gestalt Terapia. Com a ajuda de colaboradores que o auxiliaram a dar forma a um estilo próprio de trabalho, foi construindo uma teoria e prática clínica sustentada em aportes advindos da Psicologia da Gestalt, Teoria de Campo, Teoria Organísmica, filosofias de base fenomenológica, entre outros. Assim, foi criada uma forma peculiar de sustentação teórica e ação terapêutica.

 

Como trabalha o Gestalt Terapeuta?

 O Gestalt terapeuta não faz interpretações e não explica os porquês. Ao invés disso, é um “parceiro de caminhada” que viabiliza através das experimentações, que a pessoa conheça, nomeie e eleja os aspectos de sua existência que precisam de atenção, cuidado e ressignificação. O autor do processo é sempre a pessoa; é ela quem identifica os aspectos dolorosos e prazerosos de sua vivência, que convive consigo e sente como as coisas implicam em dor e sofrimento. Neste procedimento, o terapeuta é seu companheiro de jornada.

O processo de psicoterapia nesta abordagem está voltado para o resgate e desenvolvimento de uma postura interdependente, criativa e livre no processo de vida. Esta é a ética que subjaz o caminho iniciado por Fritz Perls.

Fundamentalmente, na Gestalt Terapia, é a relação que se estabelece entre o terapeuta e o cliente. Procura-se construir uma conexão autêntica, genuína, pautada pelo diálogo de pessoa para pessoa. No decorrer do qual, pouco a pouco, o sujeito vai ampliando sua percepção e atribuindo seus próprios significados.

Assim, o sintoma, seja ele qual for, vai sendo compreendido como um “sinal” do organismo, que poderá ser ressignificado e utilizado na busca de uma auto regulação mais saudável.