O texto de hoje tem a pretensão de falar de maneira simples de como a Psicopatologia e a Psicanálise podem se completar para oferecer um melhor tratamento ao paciente, com o objetivo de minimizar o sofrimento psíquico. O texto será dividido em: o conceito da Psicopatologia; a função da Psicanálise/Psicoterapia, e como e por que se completam.

A Psicopatologia é uma ciência que estuda os transtornos mentais e as alterações que provocam no organismo. Seu objetivo é fornecer a classificação, a referência que se desvia da normalidade e/ou que ocasionam sofrimentos, tidas como expressões de doenças mentais. A partir das classificações dos sintomas, se origina o diagnostico nosológico, que visa explicitar o que o paciente tem em comum com os demais indivíduos incluídos sob a mesma rubrica. O psiquiatra é o especialista que trabalha com a exclusão de outras patologias para fechar o diagnóstico, usando os sintomas descritos nas classificações da psicopatologia.  Assim, temos dois principais classificadores: CID 10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e problemas relacionados com a Saúde) e o DSM V (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). É o médico psiquiatra responsável pelo tratamento medicamentoso com os pacientes.

Freud inaugura a psicanálise e com ela a escuta que adquire um lugar central na relação paciente-terapeuta.  Por esta via, tanto as palavras ditas ou as não distas são importantes. Palavras que enganam, mas que abrem um acesso à significação. O paciente chega com palavras que demandam um desejo de ser compreendido em sua dor, o psicoterapeuta/psicanalista escuta as palavras por ver nestas as vias de acesso ao desconhecido que habita o paciente. A situação analítica é, por excelência, uma situação de comunicação: nela circulam demandas nem sempre lógicas ou de fácil leitura, mas as quais, em seu cerne, comunicam o desejo e a necessidade de serem escutadas. A psicanálise, ao inaugurar o campo da escuta, quebra um paradigma onde a medicina não escutava o doente.

Atualmente muitos profissionais têm dificuldade de compreender que é possível que a prática da Psiquiatria e da Psicanálise/Psicoterapia se completem e se ajudem mutuamente. Pois na psicoterapia/análise, há possibilidade da escuta, o que contribui para a compreensão de casos patológicos. Freud diz que a psicanálise está para a psiquiatria assim como a histologia para a anatomia; uma estuda a forma exterior dos órgãos, ao passo que a outra se dedica ao estudo de sua constituição a partir dos tecidos e células. Não se pode conceber uma contradição entre estudos que dão continuidade um ao outro. Tanto o tratamento medicamentoso e a análise/psicoterapia, quando trabalhados conjuntamente, seus efeitos terapêuticos são mais eficazes.

Nas Conferências Introdutórias à Psicanálise, de 1916-1917, ainda tão atual, Freud diz que a psiquiatria clínica pouco se preocupa com a forma da manifestação e o conteúdo do sintoma, mas é justamente isso que intervém a psicanálise, cuja primeira constatação é de que o sintoma possui um sentido e guarda relação com as vivências do paciente.

Por fim, conclui-se que a psiquiatria cuida da doença e que a Psicoterapia/Psicanálise cuida do doente. Diferentes como água e óleo, a Psiquiatria e a Psicanálise, porém quando se culminam, comprova e testifica o diagnóstico e colabora abundantemente com a melhora do paciente.

É preciso caminhar juntos!

Até a próxima,

Thelma.

 

Fontes e links

http://www.freudonline.com.br/livros/volume-16/vol-xvi-1-parte-iii-teoria-geral-das-neuroses-1917-1916-17/

http://www2.uol.com.br/percurso/main/pcs35/35Alonso1.htm

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-11382005000100006