Nascera uma linda princesinha com belos cachinhos dourados e um par de olhos azuis os quais mais pareciam duas safiras. Ela se chamava Margarida porque, assim como as flores, era delicada e perfumada. Os seus pais, o rei e a rainha, não tinham outros filhos. Eles precisavam arrumar um príncipe a altura de sua única filha e herdeira de todo o reino de Cozan para casa-la. Só que ela havia nascido sem um dos dedos de sua bela mão. Margarida cresceu e teve uma infância feliz, apesar deste seu pequeno defeito. Como já havia completado dezoito anos, tinha que casar-se conforme as rígidas leis do reino aonde viviam. Mas, todos os príncipes que seus pais haviam conseguido, quando iam colocar o anel de noivado e viam que ela não possuía o seu dedo anelar, desistiam do casamento. Ela ficava inconsolável, chorava muito quando seus pretendes a desprezavam. Porém, rapidamente recompunha-se, voltava a sorrir e caminhar pelos jardins com flores dos mais diversos tipos do palácio com seu único amigo, Florisbelo, seu passarinho de estimação, o qual conversava todas as noites em seu esplêndido quarto.

Margarida contava para ele que se sentia triste e agoniada por nenhum dos príncipes quererem firmar compromisso, ficava a perguntar-se o que seria do seu reino caso ela não casasse e se punha a imaginar o quanto seus pais ficavam chateados. Embora ela fosse sorridente e brincalhona, seus olhos refletiam uma tristeza peculiar.

Um belo dia de sol, ela saiu para passear como já era de costume, com seu amiguinho Florisbelo e resolveu sair das fronteiras do frondoso castelo. A jovem princesa nunca havia saído para fora dos portões do palácio. Porém, naquele dia resolveu que ia e o fez, mesmo com muito medo dos seus pais. Margarida ficou muito surpresa com o que encontrou do outro lado, muita sujeira, pobreza, crianças trabalhando, muitos mendigos, pessoas doentes sem medicação. Percebeu quanto não possuir o dedo anelar não era nada perto da vida que os habitantes do seu reino levavam, porém, sentiu-se um passarinho liberto, pois estava fora do castelo. Pensou em fugir de sua casa e da sua zona de conforto porque queria ser livre e não ficar presa às leis e as convenções que a realeza e seu pai, o rei, haviam criado. Foi então que caiu em um choro desesperador. Uma senhora que por ali passava a viu e foi até onde ela se encontrava ver o que tinha acontecido. Ela contou toda sua triste história para aquela bondosa senhora que disse a seguinte frase: “O dia que você não se achar mais uma vítima terá o seu príncipe.”

Margarida, voltou para casa muito pensativa, nem quis jantar aquele dia. Trancou-se em seu quarto e conversou com Florisbelo sobre o que a senhora tinha lhe falado. Chegou à conclusão que realmente se vitimizava e que seu problema era tão pequeno perto dos que havia visto fora do palácio. Imediatamente Florisbelo se transformou num lindo príncipe, pediu sua mão em casamento e ela percebeu que aquela senhora, a qual havia conversado era uma fada e tinha jogado um feitiço no seu passarinho.

Então eles casaram-se, ajudaram todas as pessoas do seu reino a terem uma vida digna e viveram felizes para sempre, porque é assim que terminam todos os contos de fada. E o meu não poderia ser diferente, não é?