Recordo-me com muita saudade da minha infância. Dia destes chegando em casa à tardinha, consegui sentir o cheirinho que só minha infância trazia consigo. E, com isso muitas lembranças vieram à tona na minha mente naquele pequeno instante. Como eu gostava de ir na praça da cidade, que na época tinha muitas flores e um gramado verdinho que cobria os morros (sim, para mim e minhas amigas eram morros, os quais nós brincávamos de rolar ladeira abaixo. Era muito divertido, pelo menos para nós era). Tinha exposição de natal na Naná Shopping, eu e minhas irmãs admirávamos e achávamos tudo muito lindo. E a torrada com suco de laranja da lancheria da tia Olga que ficava na praça, todos os lanches eram extremamente deliciosos. Correr, brincar na pracinha, jogar vôlei com os colegas de escola, tomar sorvete, ir na casa da Livia tomar banho de piscina, fazer guerra de bexiga.

Nossa, quanta coisa boa que só a infância nos proporciona. Por fim, sentar em um dos bancos da nossa praça e ouvir o barulho dos passarinhos voltando para seus ninhos. Coisas simples, mas me faziam muito feliz.

Minha mãe contava-me historinhas antes de eu ir dormir, participava das nossas brincadeiras, fazia lanches muito gostosos, deixava eu a maquiar e pentear. Meu pai nos levava, eu e minha irmã Carla, nos shows infantis que queríamos ir, das Paquitas, Trem da alegria, Balão Mágico. Fazia exercícios da fonoaudióloga e fisioterapia comigo. Levava-me para o mar para brincar com as ondas. Meus pais me deram exatamente tudo que eu precisava e inúmeras vezes o que não precisava também para ter uma infância feliz. Certa vez, resolvi pentear os cabelos do meu pai e os enchi de grampos. Chamaram ele no hospital e sem se dar conta com pressa foi assim mesmo, motivos de muitas risadas em casa a hora que ele retornou.

Na época da minha meninice não existia celular, nem computador, tablet, televisão com mais de cem canais, Playstation. Eu e as pessoas da minha geração brincávamos muito, não ficávamos em casa para falar no WhatsApp com uma amiga, íamos até sua casa. Nós víamos Balão Mágico, Fofão, Xuxa, escutava LPs (discos de vinil), colecionávamos papéis de carta, jogávamos jogos de tabuleiro, pulávamos elástico, amarelinha, brincávamos de pega-pega, esconde-esconde, polícia e ladrão, de fazer comidinha, de boneca, líamos os livros que tinha na biblioteca do colégio e depois comentávamos sobre eles.

Eu e a Lívia, minha BFF, (best friend forever, amigas para sempre), sempre queríamos inventar algo para ganharmos dinheiro. O caso é que éramos crianças empreendedoras, costurávamos roupinhas para bonecas, fazíamos colares com miçangas e brigadeiros tudo com a intenção de vender. Outra vez, pegamos uns potes e enfeitamos com papel crepom, colocamos diversos tipos de balas dentro, e lá fomos nós para mais uma empreitada.

Mesmo sem uso de recursos tecnológicos, que hoje em dia quase todas as crianças dispõem, sem mentira alguma eu tive uma infância próspera, alegre, animada. Brinquei muito, usei minha criatividade, li muitos livros e também fui a muitos médicos; fiz muitos exames. Mas esta história deixamos para uma próxima oportunidade, porque neste momento minha única intenção é falar que fui uma criança muito feliz e contente.

As crianças da minha geração jamais trocariam um amigo real, por um virtual ou iriam querer ficar em casa por muito tempo em frente a um computador. Claro que a tecnologia ajuda muito, porém era muito melhor quando as crianças eram realmente crianças.

Eu quero voltar
Voltar as lembranças
Voltar a infância
Voltar as momentos
Que voam aos ventos
Voltar a glória
De uma história
Contada e vivida
Em minha memória

Davi Lourenço