Eu e minha irmã do meio, Carlinha, quando éramos crianças entrávamos em conflito por qualquer bobagem. Era por causa de chocolate, porque uma invadia o espaço da outra, até nossas bonecas não podiam se encostar.

Enfim, a gente cresce, amadurece e esses estresses de crianças terminam ficando para trás e o que prevalece entre irmãos sempre é a amizade e o amor.

Certa noite nós saímos para jantar em família e o garçom do restaurante me perguntou o que eu queria beber. Rapidamente alguém respondeu por mim dizendo que eu queria como se não pudesse falar por mim. Sei que este familiar não fez por mal, mas me senti naquele momento tolhida de um direito que todos nós temos, o de escolher o que queremos. Então, foi nesse momento que a Carla interpelou esta pessoa dizendo que eu tinha que escolher o que gostaria de beber.

Isso aconteceu há muitos anos. Com certeza ela não deve nem se lembrar desde fato, que para mim me marcou muito. Eu me lembro como se fosse hoje da vontade que tive de chorar.

Sei que para muitos pode parecer uma grande balela. Para mim foi muito importante, pois ela me devolveu o poder da escolha que algumas vezes nos é tirado. Mas, o principal foi o sentimento que a tocou naquele momento de “empatia” que é tão raro, bonito e genuíno.

Esse acontecimento me fez pensar como nós somos permissivos e deixamos com que membros da nossa família façam escolhas muito mais importantes que simplesmente o suco que devemos tomar. Falando como portadora de necessidades especiais, nós podemos e devemos escolher o que achamos que é melhor para a gente.

Isso é um direito que todos temos. E por que nos é negado? Por que muitas vezes somos tratados como crianças? Superproteção? Com certeza! Mas, não existe mal algum em quebrar a cara de vez em quando. Temos que ter nossas próprias vivências e experiências, inclusive para nosso crescimento pessoal e espiritual nesse mundo. Quanto ao suco? Desde então, eu sempre escolho.