Não sei qual será meu futuro, mas alguém sabe? A nossa vida passa tão rapidamente que quem é esperto curte cada segundo e sabe que nós somos frutos das nossas experiências adquiridas no passado, nossas expectativas e objetivos no futuro.
Vale sonhar, acreditar em coisas novas e ser sempre você mesmo. Não se acomodar e fazer algo novo.
Até aonde eu me lembro ainda não havia compartilhado com vocês nada sobre a minha cirurgia no pescoço. Pois é, uma das minhas cirurgias foi neste local. Ela precisou acontecer porque eu tinha muita contração neste lugar, era tão forte que minha cabeça ficava quase grudada nas minhas costas. Eu não conseguia enxergar nada que estava na minha frente, nem o meu rosto no espelho, por último tinha muita falta de ar e não estava conseguindo comer nada sólido. Toda minha comida era liquidificada. Foi uma época bastante difícil porque eu odeio sopa (risos). Não, né gente, não foi só por isso. Obviamente!
Fiz três cirurgias no meu pescoço. A primeira, em 2004, foi bem menos invasiva e não deu certo. A segunda, em 2006, era irreversível, pois todos os meus músculos seriam seccionados. Eu ainda corria o sério risco de ter o meu sistema respiratório comprometido para sempre caso os médicos cortassem uma inervação errada.
Meus pais ficaram bastante temerosos com a intervenção. Porém eu queria muito, não aguentava mais viver daquele jeito. A cirurgia tinha que ser precisa, não poderia ter erros. Então, o neurocirurgião realizou pesquisas em cadáveres da universidade em que ele era professor para não termos imprevistos. Tudo tinha que ser milimetricamente estudado. Eu não tinha conhecimento de nenhum dos riscos que corria. Sempre fiz minhas cirurgias assim, totalmente às cegas. Prefiro saber só o essencial (que para mim é saber que de algum modo eu vou melhorar).
Marcamos o dia da cirurgia e eu estava lá, cheia de esperanças e expectativas de uma qualidade de vida melhor. Pois bem, enquanto me recuperava no quarto minha mãe percebeu que um tipo de licor vazava do meu pescoço. Primeiro os médicos tentaram me dar um remédio intravenoso que ardia demais, o qual não teve resultado algum. Tive que ir novamente para o bloco cirúrgico, pois o médico precisava saber o porquê de aquilo acontecer. Foi então que o neurocirurgião viu que havia deixado alguns milímetros sem os pontos internos.
Gente, vocês não fazem ideia da dor que eu senti por muito tempo. Foi uma cirurgia bastante delicada e sem dúvida a mais dolorida. Como não conseguia sustentar meu pescoço sozinha minha mãe mandou fazer um colete sob medida para mim. Ele era horrível, me machucava por ser de acrílico. Porém me ajudou muito por um longo período e ainda tinha um “style” divertido. Não é qualquer pessoa que possui um colete com fundo laranja e estamparia supermoderna de abelhinha (risos).
Este é um dos motivos que me fazem andar de cadeira de rodas ou com as meninas que ajudam segurando a minha cabeça, já que por não ter os músculos do meu pescoço eu não consigo sustentá-lo.
Mas vida que segue, e sempre segue. Como falam por aí “o futuro a Deus pertence”. Hoje é isso que a vida e a medicina me proporcionam. Mas vai saber amanhã…