Fim de período na faculdade e eu tinha que escolher um livro que fosse mais dinâmico para ler durante o trajeto de ida para a aula. O escolhido: “Olá, Vida! – um pássaro sem asas & outras novas crônicas”, de Fernanda Pinto (isso, a dona-proprietária deste site) que me presenteou com esta linda obra.

Quando conheci a Nanda, procurei pelo seu blog e comecei a ler algumas coisas. De tão tocada e por me identificar com as palavras que lia, peguei-me com lágrimas nos olhos por diversas vezes. Acabou que, não sei por qual razão, eu parei de ler as antigas crônicas que compunham aquele espaço.

Então, eu ganhei o livro que contém algumas crônicas que participavam do antigo site e esperei para lê-lo em um momento que eu estivesse precisando “ouvir” aquelas palavras que a Fernanda escreveu.

Como todos sabem, final de período é uma droga! É prova atrás de prova, é a responsabilidade de passar para o próximo período, é a pressão de morar sozinha, a solidão que impera quando a gente quer tudo menos ficar sozinho e, ao menos no meu caso, a troca de estágio. Fiquei realmente emocionada quando fui me despedir do meu chefe (o melhor primeiro chefe que alguém pode ter) e creio que talvez tenha sido uma emoção exacerbada, pois se acumulou com essa difícil época do ano. Inclusive, o Natal. O Natal se aproxima e eu não estou lá com a minha família! Não tem uma luz de natal na minha casa, não tem uma bola colorida. Sem contar o meu irmão, que está se formando no prézinho e eu não estou lá no momento em que eu mais queria.

Entrou novembro e eu pensei: são as palavras de Nanda que eu preciso ler nesse momento, são as palavras dela que vão me ajudar a achar aquela Ingrid que eu perdi em algum lugar do Centro do Rio de Janeiro. Busquei o apoio e entre uma leitura e outra comecei a refletir sobre quem eu sou e por quem eu sou.

Parando de falar sobre da crise existencial desta estudante de Direito que vos escreve, voltemos a falar sobre o Olá, Vida!.

Ao que o meu humilde olho de leitora pôde perceber, é como se cada crônica fosse um grito de socorro da Nanda. “Socorro” no sentido mais leve que essa palavra possa ter. Nanda, talvez, se parece comigo. Eu gosto de escrever o que sinto para nunca mais me esquecer daquilo que eu senti. Desde as minhas maiores dores até as minhas maiores alegrias, escrevo tudo. E ela também.

Nanda escreve sobre o Natal, sobre o pai, a mãe, as irmãs e as avós. Medo. Abraço. Pessoas. Sentimentos. Perdas. Hoje mesmo eu li a crônica “Perder dói!” e dói. Me dei conta de que é o que está acontecendo comigo. Eu estou perdendo. É isso. Eu estou perdendo e é por isso que dói. Muito. Eu estou me perdendo de mim mesma. Perdendo a minha identidade. Perdendo a Ingrid que eu demorei 20 anos para construir com a ajuda de milhões de pessoas que passaram pela minha vida. E isso tudo por quê? Por quem?

Essa crônica vem depois da “O poder de um abraço”, mas eu li antes, eu li na ordem invertida. Foi a melhor coisa. Eu chorei um pouco quando pensei no perder e chorei muito quando pensei no abraço. Curioso é que poucas pessoas pensam como eu quando eu digo que o abraço é mais forte que um beijo. O abraço aquece, o abraço conforta. Quando estamos dentro de um abraço apoiamos a nossa cabeça no ombro do outro e damos o nosso ombro para que o outro se apoie. E ali, naquele abraço, podemos nos entregar ao choro, ao riso, às cócegas, ao outro. Dentro de um abraço é onde estamos mais vulneráveis e expostos, mas é ele que nos protege. É ele que esconde o nosso rosto quando não queremos que nos vejam chorando, é ele que destaca o nosso sorriso.

O livro está na sua segunda edição, é da Editora Alcance e com prefácio de Reginaldo Faria (o rei!).

Eu preferi falar dessas duas crônicas em especial porque foram os dois textos que me envolveram no dia de hoje. Fizeram-me chorar. Na janela do ônibus. Virando para o vidro, fingindo olhar para a Baía de Guanabara enquanto tentava encobrir as minhas lágrimas pensando no que eu perdi.

Desci do ônibus, cheguei no novo estágio e pensei: perdi, mas ganhei. Estou num lugar onde sempre quis estar, na cidade onde sempre quis morar.

Dedico esse post aos meus amigos da faculdade que me abraçaram no dia que eu mais precisei nesse semestre – Iza, Vitória, Manu e Xande – e à minha mãe e ao meu padrasto que me abraçam de longe, sempre!