No ano passado, mais precisamente no mês de novembro, fez vinte e três anos que completei quinze anos. Durante todos estes anos aconteceram muitas coisas na minha vida. Uma delas foi descobrir que apesar de todas minhas limitações consigo ter uma vida independente e morar sozinha. Claro que com a ajuda das meninas que me cuidam e o zelo, carinho e amor dos meus pais, irmãs e amigas.

Nunca esqueci de um boato que correu pela cidade que eu moro quando fiquei sem caminhar por volta dos meus dezessete anos. As pessoas diziam que eu não conseguiria chegar aos dezoito anos. Soube disso por umas das minhas irmãs que havia escutado no colégio, na época ela era muito pequena e não sabia as proporções e nem a tristeza que esta fofoca me causaria. Mas aos fofoqueiros e boateiros de plantão digo que se depender de mim ficarei nesse mundo por muito tempo.

Em todos estes anos aprendi muito e com certeza aprenderei ainda mais, pois a vida nos ensina um pouco todos os dias. Quando tinha meus quinze anos aprendi sobre amizade verdadeira e ainda continuo aprendendo, a vida nos proporciona muitos tombos com esse amor chamado amizade. Também consegui aprender que não preciso sair todos os finais de semana, comprar muitas roupas, ter muitos acessórios, ter muitos amigos para ser feliz. Acho que antes queria recuperar o tempo perdido durante minha adolescência e boa parte da minha vida adulta, o qual fiquei impossibilitada de sair. Hoje consigo ver minha felicidade em outras coisas mais profundas, sólidas, concretas, simples e não na somente em futilidades, ostentação, superficialidades. Consigo ver nos poucos mas sinceros amigos, na minha paz interior, em conseguir me perdoar pelas coisas erradas que eu faço (embora isso muitas vezes seja extremamente difícil para mim), na minha saúde que ainda me permite fazer muitas coisas como dançar, escrever, viajar, ir na praia, mergulhar, sentir o sol, o vento, sair (mesmo não podendo sair quando está muito frio porque não possuo toda a capacidade pulmonar), no meu cãozinho que é a alegria da minha casa, na minha família que me ama do jeito que eu estiver e me aceita como eu sou e em tantas outras coisas que parecem tão banais, mas se conseguirmos ver de outra maneira, podemos percebemos o quanto nos fazem bem e feliz .

Tudo que me propus a fazer nestes vinte anos que minha distonia muscular generalizada piorou, regrediu, avançou e estacionou, felizmente consegui. Uma das minhas prioridades iniciais foi terminar o ensino médio que não consegui completar em 1997, apenas consegui acabar em 1999. Depois vieram uma série de cirurgias para melhorar minha condição de vida, escrever para o meu blog e para jornais, meu livro, inglês, faculdade. Os meus planos nunca param, sempre estou pensando em novos objetivos para alcançar.

Acho sinceramente que não faço nada além da minha obrigação de cidadã. Certamente, como muitas pessoas que vieram para este mundo para aproveitar, viver intensamente e ser feliz. Deixando sempre fazer parte o lúdico, o abstrato, as brincadeiras de criança. Senão ficaria tudo extremamente triste e sem graça.

Agradeço sempre a Deus, minha família, meus verdadeiros amigos, pela força, compreensão, mas principalmente por nunca me deixarem só .

“Problemas não são obstáculos, mas oportunidades ímpares de superação e evolução.”