Todos nós temos limitações

Quando eu saio para me divertir, muitas pessoas queridas e carinhosas vêm falar comigo. Recebo palavras de estímulo, força e carinho: “você é guerreira”; “estou muito feliz por ver você aqui”; “vendo você tão alegre eu me dou conta de como eu reclamo por bobagens”. Estas são algumas das frases que eu escuto por essas minhas andanças. O que me deixa imensamente feliz de escutar palavras tão sinceras que em certos momentos vem acompanhada de lágrimas.

Porém, também vejo muitos olhares preconceituosos e pessoas rindo… Como se eu não tivesse direito de sair de casa e me divertir. Infelizmente, essas situações acontecem há muito tempo, então, já estou blindada e acostumada com esses comportamentos um tanto provincianos. No começo me aborrecia muito, às vezes eu até chorava. Hoje em dia eu tenho muita pena das pessoas que pensam desta forma, não deixo de sair e nem me atingir. Ficar em casa olhando a televisão, deixando minha vida passar por ter limitações e ser cadeirante não é a maneira que eu gosto de viver. Confesso que a alguns anos eu tinha muita vontade de sair e dar minha cara a tapa. Em contraponto, hoje em dia eu mando um “foda-se” bem grande mentalmente e sigo lindamente o baile da minha vida.

O que me deixa realmente preocupada é que já estamos em pleno século XXI e, na minha concepção, era para nossa sociedade estar mais evoluída em tudo que diz respeito a palavra “preconceito”. Em tempos, onde fala-se tanto sobre inclusão social, era para as pessoas terem uma mente mais liberal e menos retrógrada.

O que estas pessoas deveriam saber e não sabem, é que todos nós possuímos algum tipo de limitação. Claro que nem todas são tão visíveis quanto a minha. Mas, ainda bem que minha cadeira de rodas não empobrece nem minha alma e nem meu coração.

Só para encerrar o assunto, o lugar de qualquer ser humano digno, honesto e de caráter é aonde ele quiser e bem entender. E se quiser beijar na boca, namorar, casar e ter filhos? está valendo! E isso é para todo mundo, ok? Sem preconceitos ou pré-conceito, pode ser? Vamos lá pessoal? Chega de pensamento mesquinhos e pequenos. Tenho a mais absoluta certeza que evoluir o espírito e a mente faz um bem enorme, sendo um valioso caminho para a paz interior. E para quem sabe o verdadeiro significado da palavra empatia… meus mais sinceros parabéns.

About the Author:

Fernanda Pinto
É portadora de uma doença degenerativa que a impede de controlar seus movimentos, mas desde pequena aprendeu a ir atrás dos seus sonhos. Apesar de ficar sem caminhar durante alguns meses e ter que passar por sete cirurgias, onde se sentiu um pouco melhor, enxergou na escrita uma forma de expressar seus pensamentos, sentimentos e sobre como a doença afetava a si e sua família.