Esse post não é crítico, nem opinativo, é pura exposição para uma eventual apreciação de vocês, leitores.

 

Guimarães ROSA

Mineiro, nascido em 27 de junho de 1908, João Guimarães Rosa foi um dos maiores escritores do nosso País, além de diplomata, novelista, contista e médico. Famoso, entre outros motivos, por ter suas obras ambientadas no sertão brasileiro, trouxe para a nossa literatura inovações na linguagem escrita que contou com a influência do coloquialismo falado e regional. Além disso, sua escrita era repleta de vocábulos criados por ele mesmo através de invenções e intervenções sintáticas e semânticas das palavras.

Curiosamente, foi criado o livro “Dicionário João Guimarães Rosa: uma Odisseia Brasileira”. Faleceu pouco tempo depois de assumir a cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Letras – após diversas recusas.

É difícil listar as principais obras de Guimarães Rosa, visto a importância imensurável dele para a nossa literatura, mas cito aqui Sagarana (1946), Grande Sertão: Veredas (1956) e Estas Estórias (1969 – publicação póstuma).

 

A ROSA do povo

“A Rosa do Povo” é um dos livros de poesia mais lindos que já li. Escrito pelo modernista Carlos Drummond de Andrade (outro mineiro), a obra segue uma linha temporal que vai de 1943 até 1945. Logo, como podemos denotar, ele percorre os últimos anos da Segunda Guerra Mundial e por isso é tido como um reflexo da época sombria do mundo em que vivamos, transmitindo os sentimentos, as dores e angústias do fim desse período. Dizem os literários que, no livro, a “rosa” indica o sentimento e a expressão das pessoas.

“Rosa na roda,

rosa na máquina,

apenas  rósea”.

(ANDRADE, Carlos Drummond De. A Rosa do Povo. Ed. 21. Rio de Janeiro: Record, 2000. p. 78)

 

ROSA de Hiroshima

Não muito longe d’ “A Rosa do Povo” de Drummond, Vinicius de Moraes (outro modernista) nos presenteou com “Rosa de Hiroshima”, uma referência direta ao bombardeio nuclear às cidades de Hiroshima e Nagasaki realizado pelos Estados Unidos no período final da Segunda Guerra Mundial (6 e 9 de agosto 1945). Destaco aqui a música que ficou mundialmente conhecida na voz de Ney Matogrosso (inclusive faz parte do musical Puro Ney, o qual já falei aqui no blog).

“Pensem nas feridas / Como rosas cálidas / Mas, oh, não se esqueçam / Da rosa da rosa / Da rosa de Hiroshima / A rosa hereditária / A rosa radioativa”.

(Vinícius de Moraes)

 

As ROSAS de Tom Jobim

Eu, como uma amante de Tom Jobim, não poderia deixar de mencionar neste post as “Rosas de Tom” (não sei se sou eu a criadora dessa expressão). A verdade é que Tom era (e é) um poeta apaixonado e trouxe a ROSA em muitas de suas canções – as quais transcreverei trechos a seguir:

“Meus olhos cansados procuram / Descanso no verde do mar / Como eu procurei em você / O descanso que a vida não dá”

  • Das Rosas

“Nada como ser rosa na vida / Rosa mesmo ou mesmo rosa mulher / Todos querem muito bem a rosa / Quero eu …”

  • … Das Rosas (em parceria com Dorival Caymmi)

“Olha / Está chovendo na roseira / Que só dá rosa, mas não cheira / A frescura das gotas úmidas / Que é de Luísa, que é de Paulinho, que é de João / Que é de ninguém!

Pétalas de rosa carregadas pelo vento / Um amor tão puro carregou meu pensamento”

  • Chovendo na Roseira

“Vem cá, Luiza / Me dá tua mão / O teu desejo é sempre o meu desejo / Vem, me exorciza / Me dá tua boca / E a rosa louca / Vem me dar um beijo”

  • Luiza

 

ROSA (Pixinguinha / Otávio de Souza)

Essa canção é bem polêmica no que se refere à letra. Luis Nassif classifica a autoria da letra da canção como um dos grandes enigmas da música brasileira. Isso porque, segundo o jornalista, a música que está registrada em nome de Otávio de Souza (um mecânico que faleceu muito jovem) é rebuscada e parte dos historiadores a atribuem a Cândido das Neves. Como prova, mostram outra canção de parceria de Cândido com Pixinguinha. Nassif considera que essa suposição é um desrespeito para com ambos, tanto com De Souza como com Das Neves, e considera que o non sense da letra de “Rosa” foge da coerência presente em Cândido das Neves e é uma das características de um poeta menor. Mas não estou aqui para averiguar a autoria da letra dessa canção belíssima que ganhou uma versão mais bela ainda na voz de Marisa Monte:

“(…)Tu és a forma ideal, estátua magistral / Oh alma perenal do meu primeiro amor, sublime amor / Tu és de Deus a soberana flor / Tu és de Deus a criação / Que em todo coração sepultas um amor (…)”

 

Enfim, temos que a ROSA está aí para o que der e vier. Uma das flores mais populares do mundo, e que é cultivada desde a antiguidade, está presente na nossa literatura (e nesse post eu me retive a poucos exemplos para não estender muito a leitura que, creio eu, já tenha ficado grande) seja para demonstrar amor ou a dor, seja individual ou coletivo. A rosa sempre esteve lá e sempre estará lá.

A Rosa é Valente.