A Bênção do Papa

Por |2018-03-06T16:41:15-03:00março 7th, 2018|Categories: Curiosidades|Tags: , , , , , |

Uma das nossas únicas certezas em Roma era de que queríamos ver o Papa. Chegamos lá e minha irmã, Carla, foi logo pesquisando na internet como faríamos para realizar nosso desejo.

Foi assim que ela descobriu que nas quartas-feiras existia uma audiência com o Papa e que, para participar, era necessário fazer uma inscrição e seguir uma série de passos burocráticos se quiséssemos ter o privilégio de vê-lo mais de pertinho. Feito tudo isso, agora só tínhamos que aguardar o e-mail de confirmação de que teríamos nossos lugares garantidos na ”Piazza San Pietro”. O tão esperado e- mail chegou pedindo para que a Carla fosse até o Vaticano buscar nossos convites.

No tão aguardado dia nós acordamos cedinho e nos dirigimos até ao Vaticano para pegar um bom lugar. Entrando no local, os seguranças disseram que eu e mais um acompanhante poderíamos ficar em um local mais privilegiado para assistir a missa celebrada pelo Papa Francisco. Então, eu e minha mãe nos dirigimos até o espaço que nos foi indicado, que realmente era bem mais perto. Ali era reservado para portadores de necessidades especiais.

Começou a tocar uma música muito alegre e ao mesmo tempo seu som parecia mágico. A melodia anunciava que o Papa estava adentrando a Piazza. Aquela música de letra simples, mas um tanto simbólica, deixou meu coração cheio de felicidade e gratidão por poder participar de um momento tão grandioso na minha vida. Quando avistamos o Papa móvel eu fiquei radiante. Ele passou bem atrás da gente e eu

Do Pastel ao Limão… Contemplando pessoas!

Por |2017-12-21T10:31:46-02:00dezembro 27th, 2017|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , |

Olá, pessoas lindas que acessam o Blog Rosa Valente! Pergunto, quem já foi em uma feira livre na sua cidade ou bairro? Aquela que expõe frutas, legumes, verduras, flores, frango, peixe e coisas que só encontramos lá. Acho que muita gente!

Pois é, em dos meus dias livres, resolvi comer aquele pastel de queijo gostoso com caldo de cana em uma das feiras livres no meu bairro, sem me preocupar em estar vestida formalmente, sem culpa pelos quilinhos a mais, sem maquiagem, sem ligar para o esmalte na unha que descascou ou com o cabelo e sem celular. Venho compartilhar com vocês essa experiência, um olhar que surgiu depois de ter frequentado inúmeras vezes o mesmo ambiente desde criança. Agora me surpreendo como frequentei um lugar sem percebê-lo, no automático. Mas afinal, o que tem de especial em uma feira de rua?

Enquanto comia meu pastel, olhava as pessoas que circulavam e de repente ouço um feirante falar alto com os outros com um tom de voz agradável e descontraído:

“gente, chegou à concorrência desleal!”. Curiosa, me virei para olhar. Era um rapaz sem pernas, amputado quase na altura dos quadris que se deslocava em cima de um carrinho de rolimã, meio que adaptado para que ele pudesse ficar com mobilidade suficiente para vender seus saquinhos de limão pendurados em seu pescoço. O mesmo rapaz ainda carregava uma plaquinha de papelão onde estava escrito limão a jato. Ele gritava “olha o limão verdinho e levado até você freguesa! Aqui a barraca vai até

Distonia e o Mercado de Trabalho

Por |2020-04-25T17:29:17-03:00novembro 24th, 2017|Categories: Reflexões|Tags: , , |

Me chamo Marluci Scopel, moro em Campo Largo – PR e tenho 28 anos. Sou designer freelancer, artista plástica, escritora e desenhista. Sempre busquei enfrentar todas as limitações da minha deficiência física com bom humor e muita força de vontade.

Sou formada em Design Gráfico pelo Unicuritiba, completamente apaixonada pelas artes e, sobretudo, pela maneira como o design pode influenciar nosso cotidiano.

Depois de realizar várias entrevistas de emprego em minha cidade e até mesmo em Curitiba, percebi que as empresas que dizem querer contratar PCD’s também possuem preconceito com essas mesmas pessoas. Apesar de ser formada e ter experiência em empregos anteriores, as empresas me considerado deficiente “demais” para eles. Para quem não sabe, sou portadora de distonia generalizada devido a uma falta de oxigenação no cérebro na hora do parto. Cresci ouvindo médicos dizendo que eu jamais iria andar, mas que minha mãe deveria ficar feliz por minha mente ser perfeita. Ao contrário de todos os diagnósticos eu comecei a andar com 4 anos de idade, sempre frequentei escolas normais e nunca repeti um ano sequer. Aos 11 anos aprendi a desenhar com os pés, hoje sou artista plástica e designer e trabalho sempre desta maneira. Jamais, em minha história de vida, acreditei em diagnósticos negativos ou aprisionantes. Por isso, deixo aqui um recado: meu sucesso não será regido por pequenas derrotas, eu vou fazer a diferença por mim mesma, como sempre fiz.

Moda Inclusiva, Andréia da Silva e o Jornalismo de Moda

Por |2017-11-14T13:04:56-02:00novembro 14th, 2017|Categories: Moda|Tags: , , , , , , |

Professora Ms. Ana Elizabeth Simões, gaúcha, 65 anos, Docente em cursos de Design de Moda, Moda, Jornalismo, Publicidade e Administração em Marketing em Santa Catarina. Apaixonada por minha profissão, na área privada e docência.

Sou professora e especialista em Jornalismo de Moda. Mestre em Engenharia da Produção com ênfase em Produtividade empresarial e Marketing. Desde 1991, ministro aulas em cursos universitários de Moda e Jornalismo em Santa Catarina, onde resido. Mas esta é uma breve apresentação, o que interessa, nesta linda trajetória que tanto me fascinou, é o meu primeiro contato com a Moda Inclusiva, através de disciplina que ministrei – esta na Associação Luterana Bom Jesus Ielusc de Joinville (SC) – como professora pesquisadora da disciplina e pesquisadora voluntária na área de Moda; visto que é disciplina opcional nos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda.

Moda Inclusiva ainda é um assunto pouco pesquisado e com raras introduções como disciplina fixa no desenho curricular das universidades. Para ilustrar esse contexto, nada melhor do que torná-lo prático e experiencial com uma de minhas alunas, cadeirante, portadora de paralisia cerebral e com alguns problemas neurológicos de fala e coordenação motora. Andréia, a minha Deinha atriz (Andréia da Silva, 36 anos), formada ano passado em Jornalismo pela instituição citada e literalmente apaixonada por Moda e Moda Inclusiva. Como temos aqui no estado o maior evento do Sul em Moda Inclusiva, na sua edição em Florianópolis um dos seus sonhos, era assistir/ desfilar no evento. Embora ela ainda não tenha conseguido, sei que muito em

Rosa na Literatura

Por |2017-11-07T09:23:26-02:00novembro 10th, 2017|Categories: Reflexões|Tags: , , , , |

Esse post não é crítico, nem opinativo, é pura exposição para uma eventual apreciação de vocês, leitores.

 

Guimarães ROSA

Mineiro, nascido em 27 de junho de 1908, João Guimarães Rosa foi um dos maiores escritores do nosso País, além de diplomata, novelista, contista e médico. Famoso, entre outros motivos, por ter suas obras ambientadas no sertão brasileiro, trouxe para a nossa literatura inovações na linguagem escrita que contou com a influência do coloquialismo falado e regional. Além disso, sua escrita era repleta de vocábulos criados por ele mesmo através de invenções e intervenções sintáticas e semânticas das palavras.

Curiosamente, foi criado o livro “Dicionário João Guimarães Rosa: uma Odisseia Brasileira”. Faleceu pouco tempo depois de assumir a cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Letras – após diversas recusas.

É difícil listar as principais obras de Guimarães Rosa, visto a importância imensurável dele para a nossa literatura, mas cito aqui Sagarana (1946), Grande Sertão: Veredas (1956) e Estas Estórias (1969 – publicação póstuma).

 

A ROSA do povo

“A Rosa do Povo” é um dos livros de poesia mais lindos que já li. Escrito pelo modernista Carlos Drummond de Andrade (outro mineiro), a obra segue uma linha temporal que vai de 1943 até 1945. Logo, como podemos denotar, ele percorre os últimos anos da Segunda Guerra Mundial e por isso é tido como um reflexo da época sombria do mundo em que vivamos, transmitindo os sentimentos, as dores e angústias do fim desse período. Dizem os literários que, no livro, a “rosa” indica o sentimento e a

Sobre ADEJ – Associação de Deficientes Físicos de Joinville.

Por |2017-11-07T09:05:20-02:00novembro 7th, 2017|Categories: Curiosidades|Tags: , , , |

Convido todos os que se fazem presente nessa publicação para conhecer esse lindo trabalho de Fé, Amor e Caridade, Solidariedade Humana.

Antes de qualquer coisa, quero compartilhar a carta do presidente da ADEJ, Professor Sérgio Luiz Barreto de Sá, com o propósito de apontar diretamente o objetivo e missão dessa instituição. Acredito que a leitura ajuda a dar continuidade neste trabalho, além de esclarecer ao público a verdade daqueles que se disponibilizam a servir solidariamente e agir em prol do ser humano.

Respeitosamente aproveitando o final da carta,  Deus não ama apenas quem dá com alegria, mas também aqueles que são felizes no ato de doar, participar, envolver-se e sentir.
Dando continuidade, mostro agora o encontro da ADEJ com outras associações. Juntos realizaram algumas reivindicações e, na sua maioria, obtiveram sucesso.

 

É bom saber que é possível realizar propósitos com persistência, dedicação e valores de caráter humano!

Parabenizo e agradeço ao presidente e professor Sérgio Luiz Barreto de Sá e toda a sua equipe eficiente da ADEJ, nada seria possível sem a prestimosa colaboração de seus membros solidários e dedicados. Agradeço também os pertencentes às outras associações. Concluo essa mostra oficial da ADEJ convidando a todos que curtem o nosso ROSA VALENTE a acessarem também o site da ADEJ. Vamos acompanhar?

Em uma nota pessoal, autorizo-me a compartilhar que, ao longo dos anos, o Professor Sérgio Luiz Barreto de Sá e sua esposa, Sra. Virginia Lyra Barreto de Sá, sempre

Direitos das Pessoas com Necessidades Especiais

Por |2018-02-19T10:18:27-03:00outubro 16th, 2017|Categories: Psicologia|Tags: , , , , , |

Fui convidada para falar sobre os direitos das pessoas com deficiências. Em primeiro lugar me questionei: “como me dirigir ao público em geral e sobretudo para as pessoas que estão fora da esfera profissional da área da saúde?” Muito bem, particularmente não gosto da terminologia “pessoas com deficiências”, porque acredito que todos nós, em algum momento de nossas vidas ou em alguma medida, possuímos deficiências, déficits, limitações, etc. Eu, por exemplo, uso óculos para corrigir um déficit na minha visão para perto, as lentes dos óculos corrigem essa limitação, mas não sou considerada uma pessoa com necessidades especiais. Como reza a Convenção Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência “as pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, com interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas”. O Decreto 3298/89, que regulamentou a Lei 7853/89, em seu art. 3o define deficiência como “toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano“. De fato, fica claro que o conceito de deficiência do Decreto 7853/89 baseia-se na pessoa que está fora “do padrão considerado normal para o ser humano”, e não a relação da pessoa com o meio em que está inserido.

Já a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência considera que a deficiência