O que é normal?

By |2019-04-04T17:58:09-03:00abril 8th, 2019|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , , , , |

Logo que comecei a usar cadeira de rodas, tinha muita vergonha de estar sendo conduzida por outra pessoa e de não poder caminhar com minhas próprias pernas (mesmo que a culpa por eu ser cadeirante não fosse minha). Foi uma mudança radical na minha vida. Tirava fotografias onde aparecia a cadeira e antes de publicar eu cortava as fotos para que ninguém percebesse este “pequeno” detalhe.

Com o passar do tempo e dos anos fui me adaptando a mais esta nova realidade na minha vida. Aprendo muito com todas as coisas que acontecem comigo. E tenho certeza que eu não seria a pessoa que sou hoje se eu fosse digamos “normal”.

Acho que tudo quando é novo causa certa estranheza nos outros, mas principalmente em nós mesmos. Depois a gente se acostuma, porque “o que não tem remédio, remediado está”. O jeito é seguir a vida sem ter vergonha de ser o que você é.

Jamais se restrinja às regras, tabus, preceitos e convenções de uma sociedade que se diz normal. Se for necessário para que você seja feliz, quebre-os. Em certas ocasiões o melhor que temos para fazer é abstrair. Sempre sendo nós mesmos. Porque normal mesmo é quem possui a felicidade sem ligar para o que os outros pensam.

Todos nós temos limitações

By |2019-03-22T14:41:12-03:00março 19th, 2019|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , , , |

Quando eu saio para me divertir, muitas pessoas queridas e carinhosas vêm falar comigo. Recebo palavras de estímulo, força e carinho: “você é guerreira”; “estou muito feliz por ver você aqui”; “vendo você tão alegre eu me dou conta de como eu reclamo por bobagens”. Estas são algumas das frases que eu escuto por essas minhas andanças. O que me deixa imensamente feliz de escutar palavras tão sinceras que em certos momentos vem acompanhada de lágrimas.

Porém, também vejo muitos olhares preconceituosos e pessoas rindo… Como se eu não tivesse direito de sair de casa e me divertir. Infelizmente, essas situações acontecem há muito tempo, então, já estou blindada e acostumada com esses comportamentos um tanto provincianos. No começo me aborrecia muito, às vezes eu até chorava. Hoje em dia eu tenho muita pena das pessoas que pensam desta forma, não deixo de sair e nem me atingir. Ficar em casa olhando a televisão, deixando minha vida passar por ter limitações e ser cadeirante não é a maneira que eu gosto de viver. Confesso que a alguns anos eu tinha muita vontade de sair e dar minha cara a tapa. Em contraponto, hoje em dia eu mando um “foda-se” bem grande mentalmente e sigo lindamente o baile da minha vida.

O que me deixa realmente preocupada é que já estamos em pleno século XXI e, na minha concepção, era para nossa sociedade estar mais evoluída em tudo que diz respeito a palavra “preconceito”. Em tempos, onde fala-se tanto sobre inclusão social, era

Inclusão Escolar

By |2017-12-21T10:05:42-03:00dezembro 22nd, 2017|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , , , |

O tema de hoje – inclusão escolar – é muito falado, discutido e pouco compreendido.

Se eu pudesse explicar em poucas palavras o que é a inclusão, eu diria: “fazer parte de”. Fazer parte da escola, fazer parte de um grupo de amigos.

A inclusão é uma dicotomia. Todos querem ser aceitos, incluídos, compreendidos e respeitados. Poucos, no entanto, querem aceitar, incluir, compreender e respeitar. A inclusão tem a premissa de aceitar as diferenças do outro.

A escola é o primeiro ambiente social em que a criança tem contato com outros adultos e crianças, além de sua família. Um mundo cheio de maravilhas, regras, amizades, descobertas, aprendizados, medos, frustrações, fracassos, etc. Um mundo para TODOS, mas deliciosamente complicado.

Para mim, todas as crianças são de inclusão! Sem rótulo, sem distinção, apenas com diferenças! Espero que, em um futuro próximo, a sociedade entenda que todos são iguais e que são as diferenças que os tornam únicos. É preciso focar nas capacidades/habilidades das crianças com deficiência e, assim, elas criarão benefícios para a sociedade.

Parece fácil, né? Mas, infelizmente, não é! Na verdade, é muito penoso. O preconceito, a rigidez de pensamento, as crenças, o modelo educacional ultrapassado e a sociedade excludente impedem o movimento da inclusão de fato.

A maioria das escolas se diz inclusiva, mas não tem vaga para novos alunos de inclusão (obrigatório por lei), não disponibiliza a mediadora escolar (obrigatório por lei), os professores e funcionários não recebem instruções nem cursos específicos para saber como lidar com cada aluno e suas necessidades.

Para a maioria

Moda Inclusiva, Andréia da Silva e o Jornalismo de Moda

By |2017-11-14T13:04:56-03:00novembro 14th, 2017|Categories: Moda|Tags: , , , , , , |

Professora Ms. Ana Elizabeth Simões, gaúcha, 65 anos, Docente em cursos de Design de Moda, Moda, Jornalismo, Publicidade e Administração em Marketing em Santa Catarina. Apaixonada por minha profissão, na área privada e docência.

Sou professora e especialista em Jornalismo de Moda. Mestre em Engenharia da Produção com ênfase em Produtividade empresarial e Marketing. Desde 1991, ministro aulas em cursos universitários de Moda e Jornalismo em Santa Catarina, onde resido. Mas esta é uma breve apresentação, o que interessa, nesta linda trajetória que tanto me fascinou, é o meu primeiro contato com a Moda Inclusiva, através de disciplina que ministrei – esta na Associação Luterana Bom Jesus Ielusc de Joinville (SC) – como professora pesquisadora da disciplina e pesquisadora voluntária na área de Moda; visto que é disciplina opcional nos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda.

Moda Inclusiva ainda é um assunto pouco pesquisado e com raras introduções como disciplina fixa no desenho curricular das universidades. Para ilustrar esse contexto, nada melhor do que torná-lo prático e experiencial com uma de minhas alunas, cadeirante, portadora de paralisia cerebral e com alguns problemas neurológicos de fala e coordenação motora. Andréia, a minha Deinha atriz (Andréia da Silva, 36 anos), formada ano passado em Jornalismo pela instituição citada e literalmente apaixonada por Moda e Moda Inclusiva. Como temos aqui no estado o maior evento do Sul em Moda Inclusiva, na sua edição em Florianópolis um dos seus sonhos, era assistir/ desfilar no evento. Embora ela ainda não tenha conseguido, sei que muito em

Quem Sou Eu?

By |2018-05-02T17:36:01-03:00outubro 23rd, 2017|Categories: Reflexões|Tags: , , , |

Meus erros
Meus acertos
Meus sentimentos
Minha angústia
Meu semblante de dor ou alegria
Minha estupidez ou minha delicadeza
Minha vontade de viver a vida de uma maneira que não posso
As pessoas que beijei, abracei ou as que eu amei
As pessoas que eu amo e para sempre vou amar
Meus momentos, meus instantes
Meus pais, amigos, irmãs ou o meu filho peludinho
A minha solidão
Minha impotência diante de tudo que eu gostaria de realizar
Meus medos
Os sentimentos que se escondem por trás da minha vaidade e aparente futilidade
Meu rosto maquiado ou minha cara limpa do dia a dia
Minha sorte
Meu azar
Meu resgate permanente
Meus instintos mais primitivos
Meu amor
Minha culpa ou meu perdão
Meu sorriso ou meu choro
O tempo que eu perdi e tento recuperar muitas vezes depressa demais
O meu voo por entre paisagens que ainda não vi e outras que jamais verei
Minhas interrogações
O cheiro do meu perfume predileto
A minha descompassada esperança em jamais perder a esperança
Aonde se encontra minha tão sonhada e desejada felicidade?
Sei que ela se encontra dentro de mim, mas certas vezes é tão difícil encontrá-la
Tenho certeza de que sou tudo isso e muito mais
Tudo junto e misturado
Tudo a flor da pele, a flor desta esperança que não quer me deixar
Eu tento me reconhecer em meio a um turbilhão de sentimentos e emoções.
Por que a vida é agora.
Em futuro que não sei quando chegará, eu só serei cinzas dentro de um simples “potinho”. ⭐

Direitos das Pessoas com Necessidades Especiais

By |2018-02-19T10:18:27-03:00outubro 16th, 2017|Categories: Psicologia|Tags: , , , , , |

Fui convidada para falar sobre os direitos das pessoas com deficiências. Em primeiro lugar me questionei: “como me dirigir ao público em geral e sobretudo para as pessoas que estão fora da esfera profissional da área da saúde?” Muito bem, particularmente não gosto da terminologia “pessoas com deficiências”, porque acredito que todos nós, em algum momento de nossas vidas ou em alguma medida, possuímos deficiências, déficits, limitações, etc. Eu, por exemplo, uso óculos para corrigir um déficit na minha visão para perto, as lentes dos óculos corrigem essa limitação, mas não sou considerada uma pessoa com necessidades especiais. Como reza a Convenção Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência “as pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, com interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas”. O Decreto 3298/89, que regulamentou a Lei 7853/89, em seu art. 3o define deficiência como “toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano“. De fato, fica claro que o conceito de deficiência do Decreto 7853/89 baseia-se na pessoa que está fora “do padrão considerado normal para o ser humano”, e não a relação da pessoa com o meio em que está inserido.

Já a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência considera que a deficiência

Atividade física na inclusão de pessoas com necessidades especiais

By |2017-09-18T16:38:59-03:00setembro 5th, 2017|Categories: Esportes|Tags: , |

Por ser de fundamental importância para o desenvolvimento motor e psicológico de cada indivíduo, visar uma melhor qualidade de vida para seus praticantes, prevenir doenças crônico-degenerativas e auxiliando no combate ao sedentarismo, há algum tempo a atividade física vem ocupando o seu luar na sociedade. Para os deficientes físicos, essas atividades são essenciais, pois além de ajudar na sua mobilidade também facilita a interação deles com os demais praticantes de atividade física.

Diante das dificuldades encontradas pelos deficientes na prática de exercícios físicos, faz-se necessário criar e adaptar suas atividades, principalmente nas escolas. É indicado o auxílio do profissional de educação física, para que as pessoas com deficiência sintam o mesmo prazer que as pessoas ditas normais ao realizar uma atividade física, fazendo assim a verdadeira inclusão desses indivíduos na sociedade.