A vida

By |2019-04-04T18:11:17-03:00abril 12th, 2019|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , , , , , , |

Em novembro do ano passado completei trinta e nove anos. Conversando com minha psicóloga, disse que queria voltar a ter meus 14, 15, 16 anos. Ela me perguntou o motivo pelo qual eu gostaria que isso acontecesse. Eu falei de alguns aspectos físicos que me incomodam. Sou muito vaidosa. Então, ela me mostrou o outro lado da moeda. Me falando que eu não teria toda a maturidade que possuo atualmente. Nem minha bagagem de vida. E completou dizendo, dentre as muitas coisas que conversamos, que a vida é muito mais que umas ruguinhas que vão aparecendo. Que a vida é muito mais que uns dedos que vão ficando mais tortos com o passar dos anos. Que a vida é muito mais que essas pequenas coisas. Que a vida é as relações que construímos com as pessoas. O amor. A nossa alegria. A nossa maturidade que só adquirimos quando vamos ficando mais velhos.

Eu saí de lá muito pensativa e calada. Pois, para mim está sendo bastante difícil esses quase quarenta. Já estava cheia de neuroses com isso.

Fui dormir pensando em tudo que tínhamos falado naquela tarde. Refleti. Então, decidi superar e ficar feliz por ter meus 39 anos. Foi a atitude mais sábia que poderia ter tomado rsrsrs. Porque a vida é o presente. É o agora. É este instante. E este momento. Eu perderia muito tempo se continuasse me lamentando. Perderia tempo de curtir a vida. Sorrir. Celebrar. Lutar. Amadurecer. Viver. E de ser feliz.

O que é normal?

By |2019-04-04T17:58:09-03:00abril 8th, 2019|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , , , , |

Logo que comecei a usar cadeira de rodas, tinha muita vergonha de estar sendo conduzida por outra pessoa e de não poder caminhar com minhas próprias pernas (mesmo que a culpa por eu ser cadeirante não fosse minha). Foi uma mudança radical na minha vida. Tirava fotografias onde aparecia a cadeira e antes de publicar eu cortava as fotos para que ninguém percebesse este “pequeno” detalhe.

Com o passar do tempo e dos anos fui me adaptando a mais esta nova realidade na minha vida. Aprendo muito com todas as coisas que acontecem comigo. E tenho certeza que eu não seria a pessoa que sou hoje se eu fosse digamos “normal”.

Acho que tudo quando é novo causa certa estranheza nos outros, mas principalmente em nós mesmos. Depois a gente se acostuma, porque “o que não tem remédio, remediado está”. O jeito é seguir a vida sem ter vergonha de ser o que você é.

Jamais se restrinja às regras, tabus, preceitos e convenções de uma sociedade que se diz normal. Se for necessário para que você seja feliz, quebre-os. Em certas ocasiões o melhor que temos para fazer é abstrair. Sempre sendo nós mesmos. Porque normal mesmo é quem possui a felicidade sem ligar para o que os outros pensam.

Todos nós temos limitações

By |2019-03-22T14:41:12-03:00março 19th, 2019|Categories: Reflexões|Tags: , , , , , , , , |

Quando eu saio para me divertir, muitas pessoas queridas e carinhosas vêm falar comigo. Recebo palavras de estímulo, força e carinho: “você é guerreira”; “estou muito feliz por ver você aqui”; “vendo você tão alegre eu me dou conta de como eu reclamo por bobagens”. Estas são algumas das frases que eu escuto por essas minhas andanças. O que me deixa imensamente feliz de escutar palavras tão sinceras que em certos momentos vem acompanhada de lágrimas.

Porém, também vejo muitos olhares preconceituosos e pessoas rindo… Como se eu não tivesse direito de sair de casa e me divertir. Infelizmente, essas situações acontecem há muito tempo, então, já estou blindada e acostumada com esses comportamentos um tanto provincianos. No começo me aborrecia muito, às vezes eu até chorava. Hoje em dia eu tenho muita pena das pessoas que pensam desta forma, não deixo de sair e nem me atingir. Ficar em casa olhando a televisão, deixando minha vida passar por ter limitações e ser cadeirante não é a maneira que eu gosto de viver. Confesso que a alguns anos eu tinha muita vontade de sair e dar minha cara a tapa. Em contraponto, hoje em dia eu mando um “foda-se” bem grande mentalmente e sigo lindamente o baile da minha vida.

O que me deixa realmente preocupada é que já estamos em pleno século XXI e, na minha concepção, era para nossa sociedade estar mais evoluída em tudo que diz respeito a palavra “preconceito”. Em tempos, onde fala-se tanto sobre inclusão social, era